segunda-feira, 30 de abril de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Robert Doisneau
O fotógrafo de Paris nasceu em 1912 em Gentilly, periferia de Paris, e dedicou sua vida profissional como um fotógrafo das ruas de Paris. Na cidade fotografou incansavelmente cenas do cotidiano e os mais diversos locais. Depois de muitas fotos da cidade, trabalhou para a montadora Renault, como fotógrafo até ser demitido por não comparecer ao trabalho, em 1939. Depois de servir um ano na guerra (1949), Doisneau voltou e em 1949 assinou um contrato com a Vogue, onde trabalhou até 1952 realizando reportagens fotográficas, muito utilizadas na época, por sua ausência de texto e facilidade na leitura visual. A partir de então começa um trabalho independente e cristaliza seu amor por Paris em suas milhares de imagens. Morre em 1994, com mais de 450 mil negativos fotografados. Robert Doisneau também foi vanguardista na fotografia de famosos em seu cotidiano, como Pablo Picasso e Orson Welles. Além disse, seu caráter de retrato urbano assumiu uma importancia antropológica,, pois suas fotos revelam o progresso e desenvolvimento do cidade e têm atualmente um importante cunho etnológico. Doisneau, porém, sempre recusou que seu trabalho assumisse esse caráter de retrato social. Doisneau dizia ser uma "falsa testemunha de sua época". Sua obra fez com que ele fosse considerado um fotógrafo da "escola humanista". Caracterizada pelo período pós guerra, a preocupação era com o resgate da paixão e da solidariedade na França. Assim a reconstrução da auto-estima francesa muito deve às fotos que marcam por seu carisma e simplicidade
samyjepp.blogspot.pt
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sexta-feira, 9 de março de 2012
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Bovina subserviência
De onde vem esta bovina subserviência do Xerife de Nottingham (Vitor Gaspar) perante o ministro das finanças alemão?
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão,Rui Santos agraciado pelo Governo com a medalha de mérito de protecção e socorro
Por proposta do presidente da Autoridade Nacional de Protecção Civil, o Governo concedeu ao comandante dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão, Rui Manuel Prata dos Santos, através do Ministério da Administração Interna, a Medalha de Mérito de Protecção e Socorro, no grau Prata e distintivo Branco, por ter demonstrado ao longo dos 14 anos em que desempenha as funções de comandante da Base de Helicópteros em Serviço Permanente de Santa Comba Dão “extraordinário exemplo de dedicação, brio e competência contribuindo de forma notável para o cumprimento das missões de protecção e socorro, ao garantir a operacionalidade da mesma 24 horas por dia, 365 dias por ano”.Tal prestígio é motivo de orgulho não só para a Associação dos Bombeiros Voluntários de Santa Comba Dão, mas também para todo o concelho. Obviamente que o é também para o próprio agraciado, conforme o atesta no seguinte depoimento.
“Em primeira instância, gostava de confessar que a distinção que recebi me surpreendeu quase tanto como me emocionou. Foi, de facto, com muita honra e indisfarçável orgulho que acolhi a notícia da condecoração, atribuída exactamente no dia em que a decisão foi publicada em Diário da República” – começou por nos dizer Rui Santos.
Faz questão de realçar que a distinção só foi possível com o trabalho de toda a equipa de colaboradores, salientando: “Neste momento importa, a meu ver, realçar que, tendo sido a minha pessoa a face visível da distinção, ela não seria possível sem o empenho e o trabalho dedicado e perseverante de toda uma equipa que inclui tripulações, bombeiros, médicos e demais profissionais ligados à saúde, autarcas, directores e profissionais de outras instituições, que tornaram exequível um serviço de qualidade em prol das populações de toda uma vasta região que, como compreendem, vai muito para além do concelho de Santa Comba Dão”. E é de facto este trabalho de equipa que merece ser enaltecido e reconhecido por todos em qualquer missão de socorro e salvamento”.
O comandante Rui Santos disse ainda que encara o agraciamento que superiormente lhe foi atribuído não apenas como uma recompensa pelo serviço público prestado à comunidade, sustentando: “Encaro-o, sobretudo, como incentivo para o desenvolvimento de futuros projectos de acção em prol da sociedade civil, possíveis se fortemente apoiados em lógicas de cooperação e articulação entre as diferentes instituições públicas e privadas”.
A imposição da insígnia vai acontecer em cerimónia solene, que oportunamente será anunciada.
faroldanossaterra
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A crise e os estados ibéricos
Espanha e Portugal que tiveram ambos, nos últimos anos, governos socialistas, perderam-nos desde o início de 2012, com as vitórias eleitorais do Partido Popular (Espanha) e do PSD, do centro direita, em Portugal. Ambos Estados europeístas convictos, cujos povos compreendem bem a importância de pertencerem à União Europeia e o valor do euro, como moeda única. Espero que a circunstância política de os dois Estados ibéricos terem hoje governos de Direita não altere o europeísmo, que tem sido regra, desde que foi posto fim às duas obsoletas ditaduras peninsulares.
Ao contrário do que alguns líderes europeus julgam, os dois Estados ibéricos têm uma grande importância em termos europeus, que nem sempre tem sido assumida. Porque, melhor do que os Estados do Centro e Norte da Europa, têm um convívio especial com a Ibero-América - até por serem duas línguas ali faladas, o espanhol e o português - e também pelo relacionamento com os países do Sul do Mediterrâneo e, relativamente a Portugal, com os Estados africanos.
Numa fase extremamente difícil para a União Europeia, em que quase tudo está em jogo, confio nos dois Estados ibéricos, na autoridade que têm em termos europeus e lhes é reconhecida. Espero que tenham a coragem de erguerem as suas vozes e se saibam bater pelo futuro da Europa, neste momento tão imprevisível. Desde logo, na próxima Cimeira, anunciada para 30 de Janeiro, em Bruxelas. A entrevista que o atual ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, José Manuel García-Margallo, deu ao El Pais de 22 do corrente, vai nesse sentido. Disse ele: "A única saída para a crise do euro é dar um salto para a Europa federal". E ainda: "A austeridade e a estabilidade são necessárias, mas também há que criar emprego".
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
1890 – A Portuguesa é tocada pela primeira vez em público
A Portuguesa, hino nacional de Portugal, nasceu
como uma canção patriótica em resposta ao ultimato inglês que exigia que Portugal abandonasse os territórios africanos compreendidos entre Angola e Moçambique, o denominado Mapa cor-de-rosa. Com letra de Henrique Lopes de Mendonça e música de Alfredo Keil, A Portuguesa é executada, pela primeira vez em público, a 1 de Fevereiro de 1890, num sarau lisboeta em São Carlos.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Guimarães 2012 - Capital Europeia da Cultura
Guimarães é uma cidade única e especial! Distingue-se pelo seu património, pela paisagem inspiradora, pela capacidade empreendedora, pelo sentimento de pertença e pelo dinamismo da sua população.
A criação da cidade de Guimarães remonta ao século X, tendo sido aqui que, em 1128, teve origem a fundação da nacionalidade portuguesa e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como primeiro Rei de Portugal.
A valorização da função cultural e o investimento no património resultaram na criação de uma rede de infraestruturas de elevada qualidade e na regeneração do centro histórico, reconhecido pela UNESCO, em 2001, como Património Cultural da Humanidade.
Guimarães é sede de um concelho densamente povoado, com mais de 160.000 habitantes, sendo o segundo maior município português fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, em população residente, e um dos mais jovens da Europa – quase 50% dos seus habitantes tem menos de 30 anos.
A par da tradicional relevância da indústria têxtil, foram emergindo outros sectores, com maior incorporação tecnológica, de crescente significado económico e que confirmam a importância estratégica da Universidade do Minho como gerador de conhecimento e inovação para a cidade e para a região.
Venha conhecer uma região única, onde as tradições e costumes do passado convivem com a vanguarda e a modernidade. Infinitas possibilidades, que vão da aventura, passando pelo bem-estar e a cultura, acolhem o visitante que escolhe este destino autêntico. Para maisInformação, consulte as páginas Guimarães Turismo e Porto e Norte de Portugal.
A criação da cidade de Guimarães remonta ao século X, tendo sido aqui que, em 1128, teve origem a fundação da nacionalidade portuguesa e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como primeiro Rei de Portugal.
A valorização da função cultural e o investimento no património resultaram na criação de uma rede de infraestruturas de elevada qualidade e na regeneração do centro histórico, reconhecido pela UNESCO, em 2001, como Património Cultural da Humanidade.
Guimarães é sede de um concelho densamente povoado, com mais de 160.000 habitantes, sendo o segundo maior município português fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, em população residente, e um dos mais jovens da Europa – quase 50% dos seus habitantes tem menos de 30 anos.
A par da tradicional relevância da indústria têxtil, foram emergindo outros sectores, com maior incorporação tecnológica, de crescente significado económico e que confirmam a importância estratégica da Universidade do Minho como gerador de conhecimento e inovação para a cidade e para a região.
Venha conhecer uma região única, onde as tradições e costumes do passado convivem com a vanguarda e a modernidade. Infinitas possibilidades, que vão da aventura, passando pelo bem-estar e a cultura, acolhem o visitante que escolhe este destino autêntico. Para maisInformação, consulte as páginas Guimarães Turismo e Porto e Norte de Portugal.
sábado, 14 de janeiro de 2012
PRÉMIO INTERNACIONAL DE COMPOSIÇÃO
O jovem compositor português Nuno Figueiredo, professor do Conservatório Regional de Coimbra, foi o único compositor distinguido no I concurso de composição “Caravelas” (Lisboa) com uma menção honrosa.
O professor de classe de conjunto do Conservatório Regional de Coimbra destaca-se novamente como um dos mais promissores portugueses da nova geração com uma Menção Honrosa em mais um concurso de composição.
A obra “ Zoey, Duas Imagens Poéticas ” para sexteto e soprano será interpretada dia 11 de fevereiro de 2012 no último concerto do Congresso “A Língua Portuguesa em Música” na Escola Superior de Música de Lisboa.
Inserido no Núcleo de Estudos da História da Música Luso-Brasileira, órgão do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), e a Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), foi promovido a criação de um Concurso de Composição no âmbito do Congresso “A Língua Portuguesa em Música”. como objectivo premiar obras de jovens compositores lusófonos, assim como compositores oriundos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, sendo a obra “Zoey, Duas Imagens Poéticas” a única obra a ser distinguida.
Um dos prémios é a publicação comercial da partitura pela editora AVA - Musical Editions, edição que será apresentada publicamente no dia do concerto dos laureados.
O seu trabalho na criação de obras didáticas tem recebido elogiosas criticas. O professor Nuno Figueiredo tem desenvolvido no Conservatório Regional de Coimbra enumeras obras de carácter didático e multifacetado destinado a ensambles heterogéneos com vista a construir repertório que sirva para os mais diversos formatos instrumentais flexíveis, desde alunos em graus de iniciação até ao nível profissional.
Biografia
Nuno Figueiredo de 29 anos de idade, iniciou os seus estudos musicais na Filarmónica de Santa Comba Dão, de onde é natural, com o professor Artur Gouveia. Entre 1998 e 2003 dedicou-se ao estudo de trompete no Conservatório Calouste Gulbenkian, em Aveiro. Participou em diversos seminários de composição e improvisação e trabalhou em orquestra de sopro com vários maestros.
Terminou a licenciatura em composição com 19 valores sob a orientação do professor catedrático João Pedro Oliveira.
É professor no Conservatório Regional de Coimbra e na Banda Amizade, onde desenvolve um reportório novo e específico para orquestras juvenis.
Entre o seu vasto repertório, foi laureado com o prémio Melhor Música Electroacústica Portuguesa no X Concurso de Música Electroacústica promovido peloMisoEnsemble, com a obra “Theelectronicsoundsofthebirds” (2009).
Foi finalista no II Concurso de Composição da Casa da Música, com a obra “Klankenuit” (2009).
Vencedor do 5º concurso Internacional de Composição da Povoa do Varzim com um concerto para clarinete e orquestra, “Ocaso” (2010).
Recebeu uma menção honrosa no I concurso de Composição Caravelas com uma obra para sexteto e soprano “ Zoey, Duas Imagens Poéticas”.
Actualmente encontra se a finalizar o mestrado na Universidade de Aveiro, sob a orientação de JoanRiera.
As suas obras têm sido tocadas em Portugal, França, Mónaco e Brasil.
O professor de classe de conjunto do Conservatório Regional de Coimbra destaca-se novamente como um dos mais promissores portugueses da nova geração com uma Menção Honrosa em mais um concurso de composição.
A obra “ Zoey, Duas Imagens Poéticas ” para sexteto e soprano será interpretada dia 11 de fevereiro de 2012 no último concerto do Congresso “A Língua Portuguesa em Música” na Escola Superior de Música de Lisboa.
Inserido no Núcleo de Estudos da História da Música Luso-Brasileira, órgão do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), e a Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), foi promovido a criação de um Concurso de Composição no âmbito do Congresso “A Língua Portuguesa em Música”. como objectivo premiar obras de jovens compositores lusófonos, assim como compositores oriundos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, sendo a obra “Zoey, Duas Imagens Poéticas” a única obra a ser distinguida.
Um dos prémios é a publicação comercial da partitura pela editora AVA - Musical Editions, edição que será apresentada publicamente no dia do concerto dos laureados.
O seu trabalho na criação de obras didáticas tem recebido elogiosas criticas. O professor Nuno Figueiredo tem desenvolvido no Conservatório Regional de Coimbra enumeras obras de carácter didático e multifacetado destinado a ensambles heterogéneos com vista a construir repertório que sirva para os mais diversos formatos instrumentais flexíveis, desde alunos em graus de iniciação até ao nível profissional.
Biografia
Nuno Figueiredo de 29 anos de idade, iniciou os seus estudos musicais na Filarmónica de Santa Comba Dão, de onde é natural, com o professor Artur Gouveia. Entre 1998 e 2003 dedicou-se ao estudo de trompete no Conservatório Calouste Gulbenkian, em Aveiro. Participou em diversos seminários de composição e improvisação e trabalhou em orquestra de sopro com vários maestros.
Terminou a licenciatura em composição com 19 valores sob a orientação do professor catedrático João Pedro Oliveira.
É professor no Conservatório Regional de Coimbra e na Banda Amizade, onde desenvolve um reportório novo e específico para orquestras juvenis.
Entre o seu vasto repertório, foi laureado com o prémio Melhor Música Electroacústica Portuguesa no X Concurso de Música Electroacústica promovido peloMisoEnsemble, com a obra “Theelectronicsoundsofthebirds” (2009).
Foi finalista no II Concurso de Composição da Casa da Música, com a obra “Klankenuit” (2009).
Vencedor do 5º concurso Internacional de Composição da Povoa do Varzim com um concerto para clarinete e orquestra, “Ocaso” (2010).
Recebeu uma menção honrosa no I concurso de Composição Caravelas com uma obra para sexteto e soprano “ Zoey, Duas Imagens Poéticas”.
Actualmente encontra se a finalizar o mestrado na Universidade de Aveiro, sob a orientação de JoanRiera.
As suas obras têm sido tocadas em Portugal, França, Mónaco e Brasil.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Vhils retrata Angela Merkel numa parede em Berlim
O artista português Alexandre Farto, que assina como Vhils, esculpiu numa parede de Berlim um retrato da chanceler alemã Ângela Merkel, que representa a «clarividência» que fragmentou a ideia de uma Europa comunitária.
Vihls explica que fez esta peça no final de Dezembro, na qual a chanceler é representada com o 'Olho da Providência' (simbolizado pelo desenho de um olho dentro de um triângulo) no meio da testa e com sete estrelas em torno da cabeça.
Para o artista, na Europa de hoje Ângela Merkel «simboliza uma clarividência maior que expressa uma nova ordem das coisas, que parece ter vindo, em muito pouco tempo, fragmentar uma ideia de Europa comunitária, cujo princípio de partilha e interacção económica e cultural permitiu que muitos crescessem com acesso a um nível de desenvolvimento que as gerações anteriores da Europa do Sul nunca haviam conhecido».
A peça, explicou, «gira em torno da ideia de como o resgate financeiro dos chamados 'países periféricos' acaba por ser um resgate financeiro a todas as economias da União Europeia e o quanto o crescimento económico está dependente do ciclo de produção e consumo».
«É uma reflexão acerca das estruturas e o ciclo de dependência económica existente entre os países do norte e os países do sul – e como os anos de pertença à União Europeia não conseguiram eliminar esta assimetria», afirmou Alexandre Farto.
Para o artista, essa assimetria foi mantida pela «inércia e corrupção da classe política e dirigente de Portugal e restantes países periféricos em conseguir rentabilizar o investimento que foi feito na educação e qualificação dos seus cidadãos, e a dependência dos mesmos países em relação às economias do norte».
Alexandre Farto, para quem há uma «diferença abissal» entre a emigração promovida por fins culturais e a que é promovida por questões económicas, considera que os portugueses estão «condenados a ser mão-de-obra barata europeia».
«E a sustentar outros estados sociais enquanto o nosso morre», acrescentou.
Alexandre Farto, de 24 anos, divide-se actualmente entre Lisboa e Londres, para onde foi estudar em 2007.
Começou por pintar paredes com 13 anos, mas foi a «escavacá-las» que captou a atenção do mundo.
A técnica consiste em criar imagens em paredes ou murais através da remoção de camadas de materiais de construção, criando uma imagem em negativo. Estes desenhos esculpidos que captaram a atenção, entre outros, de uma marca de jeans norte-americana, de uma editora literária alemã e de uma banda portuguesa.
Os últimos dois anos têm sido «uma roda-viva de viagens constantes» com participações em festivais, exposições e trabalhos pela Europa, América do Norte e América do Sul e Ásia. Mas a capital portuguesa continua a ser a «cidade de referência» do artista que todos conhecem por Vhils.
Lusa/SOL
Vihls explica que fez esta peça no final de Dezembro, na qual a chanceler é representada com o 'Olho da Providência' (simbolizado pelo desenho de um olho dentro de um triângulo) no meio da testa e com sete estrelas em torno da cabeça.
Para o artista, na Europa de hoje Ângela Merkel «simboliza uma clarividência maior que expressa uma nova ordem das coisas, que parece ter vindo, em muito pouco tempo, fragmentar uma ideia de Europa comunitária, cujo princípio de partilha e interacção económica e cultural permitiu que muitos crescessem com acesso a um nível de desenvolvimento que as gerações anteriores da Europa do Sul nunca haviam conhecido».
A peça, explicou, «gira em torno da ideia de como o resgate financeiro dos chamados 'países periféricos' acaba por ser um resgate financeiro a todas as economias da União Europeia e o quanto o crescimento económico está dependente do ciclo de produção e consumo».
«É uma reflexão acerca das estruturas e o ciclo de dependência económica existente entre os países do norte e os países do sul – e como os anos de pertença à União Europeia não conseguiram eliminar esta assimetria», afirmou Alexandre Farto.
Para o artista, essa assimetria foi mantida pela «inércia e corrupção da classe política e dirigente de Portugal e restantes países periféricos em conseguir rentabilizar o investimento que foi feito na educação e qualificação dos seus cidadãos, e a dependência dos mesmos países em relação às economias do norte».
Alexandre Farto, para quem há uma «diferença abissal» entre a emigração promovida por fins culturais e a que é promovida por questões económicas, considera que os portugueses estão «condenados a ser mão-de-obra barata europeia».
«E a sustentar outros estados sociais enquanto o nosso morre», acrescentou.
Alexandre Farto, de 24 anos, divide-se actualmente entre Lisboa e Londres, para onde foi estudar em 2007.
Começou por pintar paredes com 13 anos, mas foi a «escavacá-las» que captou a atenção do mundo.
A técnica consiste em criar imagens em paredes ou murais através da remoção de camadas de materiais de construção, criando uma imagem em negativo. Estes desenhos esculpidos que captaram a atenção, entre outros, de uma marca de jeans norte-americana, de uma editora literária alemã e de uma banda portuguesa.
Os últimos dois anos têm sido «uma roda-viva de viagens constantes» com participações em festivais, exposições e trabalhos pela Europa, América do Norte e América do Sul e Ásia. Mas a capital portuguesa continua a ser a «cidade de referência» do artista que todos conhecem por Vhils.
Lusa/SOL
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Carta aberta ao Senhor Primeiro Ministro de Portugal
Exmo Senhor Primeiro Ministro
Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.
Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...
Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...
Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.
Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro
e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus
Myriam Zaluar, 19/12/2011
Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. "És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro." - disseram-me - "Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção". Fiquei.
Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. "Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante". Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira 'congelada'. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como "nativa". Tinha como ordenado 'fixo' 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas...
Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci - felizmente! - também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar...
Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores - e cada vez mais raros - valores: um ser humano em formação.
Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro
e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus
Myriam Zaluar, 19/12/2011
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