sexta-feira, 27 de novembro de 2009

The Can from Carlos Lascano on Vimeo.

Barefoot Runner

Momentos espaciais extraordinários


Esta fotografia tirada pela Apollo 8 em 8 de Dezembro de 1968 mudou a nossa noção de Universo e romantismo. Acostumados a ver a bela e luminosa lua do nosso planeta, esta visão árida e fria versus um planeta vibrante, azul e cheio de vida veio tornar o nosso planeta muito mais acolhedor. Por vezes, precisamos de nos afastar para reconhecer a beleza daquilo que nos rodeia tão de perto.
obvius

Amazónia ameaçada


No Brasil, quatro milhões de hectares estão registados em nome de grupos internacionais e mais de metade da área comprada por estrangeiros está localizada na Amazónia. A desflorestação é já uma realidade no maior "pulmão" brasileiro, que tem sido usurpado por investidores estrangeiros à procura de terrenos para produzir alimentos e biocombustíveis.
O desaparecimento de alguns territórios no próximo século, um tema que será discutido durante a Cimeira do Clima, em Copenhaga, está também a levar muitos países a procurarem, fora de portas, terras aráveis para cultivar. Por esse motivo, o Courrier Internacional de Dezembro dedica um dossiê a este neocolonialismo, que visa essencialmente países africanos e asiáticos.
Pelo menos 30 milhões de hectares de solos aráveis são cultivados em proveito das nações estrangeiras mais ricas e países como o Congo-Brazzaville puseram um terço do território à venda, enquanto outros, como a Índia, não param de comprar grandes parcelas de terreno na Etiópia, Quénia, Indonésia, Uruguai e Paraguai.
Os habitantes destes países, sobretudo camponeses pobres que vivem da agricultura, não têm sequer uma palavra a dizer e são, muitas vezes, sumariamente espoliados.
expresso

Marretas em vídeo

Uma das mais famosas músicas dos Queen, "Bohemian Rapsody", está agora em vídeo com os Marretas. Para quem gosta dos famosos bonecos de pano e das músicas celebrizadas pela voz única de Freddie Mercury tem agora a oportunidade de ver celebridades tão díspares juntas.


A voz de Freddie Mercury calou-se há 18 anos, a sua morte chocou o mundo a 24 de Novembro de 1991, mas o seu carisma e as suas canções permanecem intactas. Agora é tempo de também os Marretas se lembrarem deles e darem a cara pela nova versão do tema "Bohemian Rapsody".

Viagem a uma Moçambique desconhecida


                                                                                   Moçambique

Dubai deixa de pagar dívidas











Público - Dubai deixa de pagar dívidas e assusta bolsas mundiais

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Saudades do automóvel



Hoje em dia ter um automóvel é ter um peso na consciência. É contribuir para o buraco na camada de ozono, para o aquecimento global, para o congestionamento do tráfego urbano e para a crise do petróleo. Ter dois automóveis, então, mesmo que sejam imprescindíveis para o dia a dia de uma família, é quase um crime! Para apaziguar a nossa culpa colectiva, a indústria automóvel nossa amiga desdobra-se em propostas de veículos "verdes", amigos do ambiente. São automóveis de aspecto biomórfico e gastrópode, tímido, semelhantes a amebas com rodas. À excepção dos concept cars e dos modelos desportivos topo de gama, o automóvel perdeu definitivamente o seu estatuto. Mas houve tempos em que possuir um automóvel era um luxo. Era fazer parte do american dream. Os novos modelos ostentavam-se orgulhosamente como um troféu, enormes, cintilantes nas suas cores e aplicações cromadas, nos seus assentos em cabedal e nos seus motores devoradores de gasolina. É verdade que a gasolina era barata, as estradas largas e os engarrafamentos raros. A poluição era apenas uma pequena nuvem no horizonte. O automóvel tinha uma conotação francamente positiva.
A publicidade dessa altura - final dos anos 50' - apresentava-nos belos desenhos coloridos onde se podia ver os últimos modelos saídos das linhas de montagem das grandes marcas. Os artistas gráficos caprichavam no desenho e faziam vender. Os americanos lideravam e não era por falta de modéstia. As mais belas ilustrações eram as da Ford, da Buick, da Oldsmobile ou da Chevrolet, os gigantes de Detroit.
À volta destes automóveis, indivíduos estereotipados vestidos com elegância e em poses descontraídas protagonizavam famílias felizes em viagem, trabalho ou lazer. Não havia pobreza, não havia conflitos raciais, não havia guerra nestes desenhos; tudo era prazer, tudo era sucesso, tudo era alegria de viver. Fumar era normal e dava estatuto, nunca doenças. Não se falava da "Caça às Bruxas" do senador McCarthy. Dir-se-ia que vivíamos numa sociedade perfeita e que o automóvel era o instrumento e a face mais visível dessa transformação.


obvius

Supervulcão aniquilou florestas da Índia







Supervulcão aniquilou florestas da Índia - Ciência - DN

Cada português gasta 109 litros de água por dia


Cada português gasta diariamente 109 litros de água. A esta quantidade há que juntar mais 121 litros correspondentes às perdas e aos consumos autárquicos. Um estudo da Aquapor ontem divulgado refere que o litro de água custa, em média, 0,0023 euros.
O estudo em causa, que durante quatro anos incidiu em quatro milhões de registos de consumo de 288 mil habitantes distribuídos por dez municípios, refere que nos ambientes urbanos a média de água gasta por pessoa passa dos 109 para os 137 litros.
A Aquapor conclui que 40 por cento dos consumidores nacionais gastam mensalmente 11,75 euros na factura da água, a qual também já inclui o saneamento e a recolha do lixo. Este montante significa que o consumo é igual ou inferior a cinco metros cúbicos consumidos.
Apurou-se ainda que 16,6 por cento dos contadores analisados apresentam um consumo zero. Trata-se, dizem os autores do estudo, de casas de imigrantes, de segundas habitações, de contadores de garagens e anexos e até de contadores avariados.
Quanto aos desperdícios de água estima-se que os mesmos sejam na ordem dos 32 por cento relativamente à totalidade do volume captado. Para combater este desperdício é sugerido o reforço ao combate às ligações clandestinas e a redução das perdas técnicas (roturas e fugas “permanentes”).

entrada de meteorito na atmosfera

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Campanha contra o Aneurisma da Aorta Abdominal


A Sociedade Portuguesa de Angiologia e Cirurgia Vascular (SPACV) em parceria com a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardio-Torácica e Vascular (SPCCTV) lançou esta terça-feira a primeira campanha de sensibilização contra o aneurisma da aorta abdominal, uma patologia que afecta mais de 700 mil pessoas na Europa, com uma prevalência de 70/80 casos por 100 mil habitantes.

A campanha irá ser desenvolvida em Hospitais e Centros de Saúde, assim em Universidades Seniores já que se trata de uma patologia com maior incidência no sexo masculino com mais de 65 anos. Para além de alertar a população para os factores de risco como o tabagismo, a aterosclerose, o colesterol, diabetes, hipertensão e o sedentarismo, a ‘Aorta é Vida’ pretende alertar a sociedade civil, desmistificando uma doença aparentemente silenciosa.
De acordo com Joaquim Barbosa, presidente da SPACV, “o aneurisma da aorta abdominal é o mais frequente dos aneurismas arteriais e cursa sob uma forma silenciosa. A aorta vai aumentando progressivamente de calibre e esse aumento termina em várias complicações, nomeadamente a ruptura que ocorre em cerca de 80 por cento dos doentes”.

CM

Novos casos de HIV descem 17%



O vírus HIV continua a crescer, registando-se uma subida do número de infectados para 33, 4 milhões no ano passado. No entanto, o número de novos infectados, cerca de 2, 7 milhões, desceu cerca de 17% nos últimos oito anos, devido às várias campanhas de sensibilização contra a Sida, informou a ONU.


Na África subsariana, uma das zonas do mundo mais fustigadas pela epidemia do HIV, os números de casos baixaram 15 %, com menos 400 mil infecções em comparação com o ano passado. Na Ásia, as infecções diminuíram 25 % a Este e 10 % no Sul e Sudeste. Na Europa Ocidental, após um grande aumento de casos entre os consumidores de droga, a epidemia também abrandou, embora em alguns países os números de casos continuem a subir.
Em Portugal, verifica-se o maior número de novas infecções da Europa Ocidental, com 1510 casos em 2006 e 894 em 2007, sobretudo em indivíduos que têm relações com homossexuais, consumidores de droga e imigrantes.

CM

Renascença e Antena 1 lançam web rádios de informação






O Grupo Renascença vai lançar uma rádio online de informação, no primeiro semestre de 2010. O canal fará o aproveitamento de alguns conteúdos generalistas e desportivos emitidos em antena com outros realizados especificamente para a internet. A rádio pública prepara também uma web rádio com palavras, agregando conteúdos emitidos pela RTP (rádio e televisão).
DIÁRIO2

Observatório para a violência doméstica


A presidência espanhola da União Europeia quer criar um observatório europeu para a violência doméstica. Em Lisboa, o secretário espanhol dos Assuntos Europeus defendeu ainda uma «ordem de protecção europeia» contra este crime.


A presidência espanhola da União Europeia, que vai entrar em funções em Janeiro, pretende criar um observatório europeu para a violência doméstica e que seja possível deter no espaço europeu quem seja acusado deste crime.
De passagem por Lisboa, o secretário de Estado espanhol dos Assuntos Europeus quer que a União Europeia olhe com atenção «para esta tragédia tão grande, a maior tragédia da nossa sociedade, seguramente a maior de todas».
Para além da criação do observatório, Diego Lopez Garrido pretende formar uma «ordem de protecção europeia» contra a violência doméstica e que os acusados deste crime sejam tratados de uma forma semelhantes aos terroristas.
«Conseguimos na Europa que quando um juiz emite uma ordem de detenção a um terrorista esta ordem aplica-se em todos os países da União. Temos também de conseguir uma euroordem contra esse terrorismo, que é o terrorismo contra a mulher», explicou.

Este governante, que prometeu uma estreita colaboração com o novo presidente do Conselho da União Europeia, quer ainda que a presidência espanhola da União Europeia represente «o começo de uma etapa que esteja presidida pela tolerância zero contra a violência» doméstica.

TSF

cartoon


Terra suporta cada vez menos o impacto ecológico do homem



"Planeta Azul" precisa de 18 meses para regenerar os recursos consumidos pelo Homem num ano. O diferencial tem aumentado ao longo dos últimos anos.
A Terra suporta cada vez menos o impacto ecológico das actividades humanas, já que são necessários 18 meses ao planeta para regenerar os recursos que a humanidade consome num ano, segundo um estudo de um grupo de investigação privado norte-americano hoje, terça-feira, publicado.

Os dados recolhidos numa centena de países pelo Global Footprint Network, um grupo de defesa do ambiente, indicam que a humanidade consome recursos e produz dióxido de carbono (CO2), principal gás com efeito de estufa, a um ritmo 44% mais elevado do que a natureza pode produzir e absorver.
"As ameaças iminentes que enfrentamos hoje, nomeadamente as alterações climáticas mas também a desflorestação, a diminuição das pescas, a sobre-utilização da água doce, são sintomas de uma tendência alarmante", escrevem os autores deste relatório.
O Global Footprint Network, com sede em Oakland, Califórnia, calcula todos os anos desde a sua criação, em 2003, aquilo que chama de "impressão digital ecológica" de mais de cem países e da humanidade como um todo.
Este indicador determina a superfície de terra e de água requerida para produzir recursos que uma dada população consome e para absorver os desperdícios daí resultantes.
Noutros termos, estes investigadores calculam o potencial de produção de recursos da natureza, como são utilizados e quem os utiliza, explicou a organização.
Estes dados mostram que entre 2005 e 2006 o impacto ecológico da humanidade aumentou cerca de 2%sobre o mesmo período precedente.
Este crescimento resultou de um aumento da população e do consumo de recursos per capita.
Nos últimos 10 anos, o impacto do homem na natureza aumentou 22% enquanto que a bio-capacidade, quantidade de recursos que a natureza pode produzir, permaneceu constante e pode mesmo ter diminuído, segundo o "Global Footprint Network".
jn

Seca mata milhares de peixes no Brasil









Pescadores percorrem nas suas canoas o rio Manaquiri, um afluente do Amazonas, no Brasil. Depois de uma época de cheias veio a seca e milhares de peixes começaram a aparecer mortos.
 Foto: Bruno Kelly/Amazonaspress/Reuters

Uma anomalia: Kurt Cobain


Em 1989 uma banda de Aberdeen, Seattle, gravava com apenas 600 dólares o álbum de estreia: "Bleach". 20 anos depois esse disco é reeditado. E sai em DVD o registo de um concerto, "Live at Reading", quando o mundo eram os Nirvana. A história deles e a nossa nunca foi a mesma.

Por falar em Kurt... Mais exactamente, Kurtz, o coronel renegado, interpretado por Marlon Brando no épico de Coppola "Apocalypse Now". O filme centra-se na missão liderada pelo capitão do exército americano Benjamin Willard (Martin Sheen), cujo objectivo é eliminar o enigmático Kurtz, que lidera, no interior da selva vietnamita, qual rei divino, uma milícia de dissidentes e nativos.
Porque é que o exército americano quer eliminar um dos seus? Porque Kurtz deixou de obedecer à linha de comando. Não porque tenha desistido da guerra ou deixado de acreditar nesses ideais. Pelo contrário: crê totalmente, mas por excesso. Sofre de sobre-identificação com a instituição militar. Foi ultrapassado pelos acontecimentos. Até à loucura. Transformou-se no desregramento a abater. Um incómodo.

Ele percebe-o. No final é Willard a matar Kurtz ou é Kurtz a preparar o terreno para que Willard o abata? A imolação de Kurtz, sequência que encerra o filme, é a tentativa de lidar com a desordem cosmológica. Um exaltado fotojornalista - Dennis Hopper - que Willard encontra na selva faz de arauto. É ele que nos diz sobre Kurtz: "The man is clear in his mind, but his soul is mad." Não poderíamos dizer o mesmo de Kurt Cobain?
O filme da sua vida foi outro, mas foi também o mesmo. Interpretou os princípios da contracultura, acreditou neles, excessivamente. Sofria de sobre-identificação com a ética punk-rock. Foi ultrapassado pelos factos. Via-se como criador alternativo mas os seus discos vendiam milhões. Em parte, por ele, música antes encarada como difícil foi cunhada e vendida às massas como "grunge".
A popularidade embaraçava-o. Queria fama, mas não estava preparado. Quem tinha 20 anos olhava-o como guia. Mas ele não queria ser guia. Sentia que estava tão perdido como os que queriam ser guiados. Nunca conciliou os seus princípios com o sucesso. O suicídio resolveu o impasse, antes que o rasto de integridade desaparecesse por inteiro.

20 anos depois, na altura em que se assinala a edição do primeiro álbum dos Nirvana, "Bleach", o mistério sobre Kurt e a sua banda mantém-se. Ficarão para sempre com o nome gravado na História do rock dos anos 90 - mesmo se parecem ter constituído uma anomalia.

quela voz, de onde vinha?
Nesse período, do ponto de vista criativo, as linguagens da música de dança é que faziam a revolução. Mas para a indústria elas não representavam nada. No mercado mais rentável do mundo, o americano, o rock dominou sempre. Os concertos eram lucrativos e o culto da personalidade suplantava o anonimato das electrónicas.
Quem tinha vivido os anos 60, 70 e 80 dizia que já não havia mais nada para inventar. Dos Velvet Underground aos Stooges, tudo parecia ter sido feito. Mas o rock, velha carcaça, recusava-se a morrer.
Kurt Cobain nasceu em 1967. Lia fanzines rock. Escutava Vaselines, Daniel Johnston, Raincoats, TV Personalities, Black Flag. Rock independente, cultivado em caves escuras. Regia-se pela ética punk-rock. Pertencia a uma elite: aqueles que se zangavam a sério contra os valores burgueses. Era contra o capitalismo, a favor do "faça-você-mesmo". Contra o espectáculo, pela anarquia. Pelo regresso da sinceridade, mesmo sabendo que a história do rock está repleta de traições.

O rock, para Kurt, eram canções cruas, o visual de todos os dias, lutar contra o estabelecido, convencer seguidores a recusar o sexismo, a homofobia, o novo-riquismo. As canções, virulentas, punham a nu a vaidade e a opulência da América, do Ocidente, do princípio dos anos 90. Tornavam visível a esclerose, a gordura. O capitalismo, dizia Kurt, era "a gula."

Anotava as suas reflexões num diário. Cresceu na década de 90, a primeira, depois da década de 40, que viu duas gerações distintas - pais e filhos - a gostarem da mesma música. O rock, os Beatles, os Stones, com os quais os pais também haviam crescido.
Mas Kurt tinha raiva da geração dos pais. A cólera tinha que explodir. Em 1987, os Nirvana. E ele, esperançado, anotava: "Vamos lançar o álbum às nossas custas. Achámos uma fábrica que prensará 1000 discos por 1600 dólares, o que faz com que tenhamos que vender apenas 250 discos para recuperar o nosso investimento."
Acabaria por ser a independente Sub Pop a editar o primeiro álbum, "Bleach", registado em apenas seis dias. Kurt tinha 22 anos. Não se saiu mal. 80 mil exemplares. Mais de 1,7 milhões de cópias vendidas até hoje. O maior sucesso de sempre da Sub Pop.
Os Nirvana tornam-se líderes dessa coisa chamada grunge. Em Seattle outras formações praticavam música semelhante (Melvins, Soundgarden, Pearl Jam, Screaming Trees, Alice In Chains), mistura de Neil Young punk e Black Sabbath pop, desordem, melodias perdidas por entre guitarras cerradas e, no caso dos Nirvana, aquela voz, passando da dor à raiva, do apaziguamento ao caos. De onde vinha? Entre as influências citava "os divórcios, as drogas, os efeitos sónicos."
O desgosto formava o gosto
Ao vivo os Nirvana ganhavam reputação de grupo incontrolável. Em 1991, o rock precisava de sangue novo. Em quem apostar? Havia os Pixies, mas Frank Black era anafado. Não parecia Jesus como Kurt. Dir-se-ia mais um simpático caixa de supermercado do que outra coisa. E os Sonic Youth? Muito artísticos, muito nova-iorquinos, veteranos.

Restavam os Nirvana. Restava injectar visibilidade e dólares no grunge de Seattle. E o negócio abateu-se sobre a cidade. Visualmente era Kurt quem sobressaía. Loiro, ar torturado, desleixado como um roqueiro que se preze.
E os Nirvana assinaram por uma multinacional.
Foram convidados a descer até Los Angeles para gravar o segundo álbum. Prudente, a Geffen prensou apenas 50 mil exemplares de "Nevermind". Foram vendidos mais de 10 milhões. Para quem tinha vivido a década de 80 foi a surpresa. O álbum transformava a impotência em energia, a inércia em dinamismo, mas ninguém acreditava que aquele som - descendente dos Husker Du, Dinosaur Jr ou Sonic Youth - teria hipóteses de seduzir. Seduziu.
Em parte, por um single, "Smells like teen spirit". Em 1991 ser jovem era aquela canção, aquela deflagração, rejeição de qualquer coisa inominável. O desgosto formava o gosto. Tornava-se êxito disforme, aberração dos tops habituados a acolher de braços abertos Vanilla Ice. As palavras eram confusas, mas tornava-se num hino de revolução adolescente, impulsionada por um vídeo sugerido por "Over The Edge", filme de Jonathan Kaplan, com Matt Dillon.
Mas de que espírito jovem falava Kurt nessa canção? Do punk-rock que queria acabar com a gula e o cinismo dos mais velhos? Ou do espírito dos adolescentes da América, dessa geração que obedeceu a Bush pai, adoptou valores reaccionários, correu aos cinemas para ver "Forrest Gump" ou às lojas de discos para comprar Bryan Adams?
Kurt horroriza-se com a debilidade dos seus pares. Com o estado do mundo. E com as suas próprias desventuras: porque é que se droga, arma zaragata, destrói hotéis como se fosse uma trivial celebridade rock? Porque é que se casa com uma estrela, Courtney Love, tão frágil como ele? Porque é que os dois adquirem uma casa como todos os casais conformistas que critica? Porque é que ele, no auge da glória, não pode, não consegue, mudar o estado das coisas?
Sim, tornara-se numa personalidade. A revista "Rolling Stone", outrora alternativa, agora símbolo do entretenimento, quer que ele pose para a capa. Ele não devia, escreve. A ética punk não lho permite. A ele, das "fanzines". Mas é estrela, a "Stone" é importante, tem que fazê-lo.
Para não passar por marioneta tem uma ideia: posa para a capa, mas de t-shirt, com a inscrição "corporate magazines still suck", forma de insultar a "Rolling Stone". É isso que pensa, mas a vida é mais complexa.
Ao aceitar essas condições a "Rolling Stone" dá provas de largueza de espírito. É admirada por isso. Kurt sofre. Pensava que se podia infiltrar no sistema para o fazer explodir, mas transforma-se no alibi do sistema, que o exibe: olhem para os Nirvana, indomáveis, rock com alarido, comprem os discos e estarão a comprar também uma atitude rebelde.

A partir de determinada altura percebe que os amantes de rock já não são aliados. Ele que se sentia diferente ao ouvir os Vaselines e que acreditava na atitude combativa, percebe que os dez milhões que o ouviam eram os mesmos que iriam ouvir, mais tarde, Limp Bizkit.
Não espanta que desconfiasse dos fãs de rock, sobretudo os da primeira geração, os renegados que, na sua visão, haviam traído ideais. "O leitor médio da ‘Rolling Stone' é um ex-hippie que virou hipócrita e que olha para o passado como sendo a época de ouro, mas absorveu o capitalismo com indulgência, moderação, numa palavra, acomodou-se." Porquê a animosidade contra os "hippies"? Não eram suficientemente radicais. Tinham-se vendido. Eram "yuppies".

Kurt e Eddie
Apesar de ser o número 1 mundial continuava um pequeno punk. No festival de Reading apresenta-se de bata e cadeira de rodas. Nos prémios MTV os Nirvana tocam uma canção chamada "Rape me". Kurt ainda acreditava. Mas intensificava-se a sensação que já não passava de um Dom Quixote a esbracejar no vazio.

Tenta curas de desintoxicação, com e sem Love. A 2 de Maio de 1993, uma "overdose" de heroína em Seattle. Prepara-se o sucessor de "Nevermind". Os Nirvana querem lançar um disco assumidamente difícil. Cobain deseja que tenha o título de "I hate myself and i want to die". Mas os imperativos do negócio falam mais alto. Chamar-se-á "In Utero" e trepará pelos tops. A 4 de Março de 1994, em digressão, mais uma "overdose", em Roma. Um mês depois, a 5 de Abril, suicídio. Ao lado do corpo: "É melhor apagar de uma vez que desaparecer aos poucos."

Tinha 27 anos. Infiltrou-se no sistema. Os Nirvana impuseram às massas a cólera face à gula. Para muitos, Kurt perdeu. Puxou de uma arma, mas apontou-a a si próprio. Para outros, não; foi grande. Esses normalmente tendem a compará-lo a Eddie Vedder, dos Pearl Jam, outro grupo seminal de Seattle, ainda activo. Faz sentido.

Enquanto Kurt sempre teve dificuldade em lidar com grandes audiências, e em palco quase não dizia nada, Eddie comporta-se como o irmão mais velho, aquele que se oferece para ser guia.

A voz de Kurt é coisa em bruto, expondo uma raiva incoerente, assente em letras pouco claras. Eddie conta histórias. As canções dos Nirvana são mais desafiantes, mas não oferecem calor. Quando muito são catárticas.
Eddie parece tentar chegar ao outro. Kurt quer que o deixem em paz.

Aquilo que faz do primeiro um herói do rock - no sentido mais conservador do termo - é que é alguém que nunca desiste de lutar. "In Utero", o último grito dos Nirvana, é o oposto. É desistir, é o isolamento, o casulo onde Kurt se resguarda das contradições de ser um rebelde milionário.

Talvez Eddie seja um ser humano melhor. Mas segundo o mito romântico do criador, talvez Kurt seja melhor artista. Como o Kurtz de Brando: era lúcido. De uma lucidez disforme, incapaz de percepcionar a totalidade à sua volta. Ninguém se surpreendeu quando se suicidou. Mas mesmo assim a sua morte continua a inspirar as mais bizarras e diversas teorias conspirativas.

Quem matou Kurt Cobain? A resposta é óbvia. Kurt Cobain matou Kurt Cobain. Mas também foi vítima: vítima do mito de que para se ser autêntico, verdadeiro e comprometido, não se pode ser popular.

IPSLON