Inês Barbosa é mãe, tem cinco filhos e a sua menina mais nova tem apenas nove anos. Admite que não é uma pessoa muito aberta em matéria de sexualidade. Mas até para uma mãe mais liberal a pergunta "Mãe, o que é ser sexy?" pode provocar um momento de embaraço. Inês optou por responder de forma descomplicada. "Usei um exemplo dos Morangos com Açúcar para que ela entenda", explica a própria ao i.De onde vêm os bebés? É possível engravidar com um beijo? O que é que o pai e a mãe fazem à noite no quarto? Estas são algumas das dúvidas que desde cedo começam a povoar a imaginação dos mais novos.Fórmulas para lidar com o assunto há muitas, mas numa coisa os especialistas concordam: é preciso encarar o tema com a maior naturalidade. Sem tabus."Não banalizando demasiado o assunto, é preciso fazer com que eles sintam que podem contar com os pais se tiverem perguntas difíceis", defende Rita Jonet, psicóloga educacional. Estar à vontade é mesmo a melhor solução. Bruno Inglês, psicólogo clínico e sexólogo, deixa outro conselho: "Não se deve ter medo de adiar as respostas. Se um progenitor é confrontado com uma pergunta, poderá com naturalidade responder: 'O pai não sabe bem responder a isso, mas vou procurar saber e amanhã já te dou uma resposta.' Ou avançar com uma resposta simples e concreta."No entanto, muitos pais ainda não estão preparados. Primeiro é preciso "não terem a pretensão de dar lições aos filhos, respeitando em absoluto a privacidade deles, mesmo quando a angústia nos empurra para diários ou telefones", avisa o sexólogo Júlio Machado Vaz. Os pais devem actuar "através do exemplo", acrescenta Daniel Sampaio. A primeira angústia é saber quando tocar no assunto pela primeira vez. "Deve aproveitar-se, por exemplo, uma imagem na televisão para responder a perguntas", aconselha.A partir dos quatro anos são as próprias crianças que começam a fazer as perguntas. "Se por volta dos seis, sete anos, não tocarem no assunto, é porque algo se passa. E devem ser os pais a propiciar a conversa", diz Rita Jonet. A abordagem é um passo importante. Muito facilmente um adolescente se retrai ao sentir-se invadido ou envergonhado. O pediatra Gomes Pedro explica que há formas de contornar esses sentimentos. Até porque a educação sexual não é convocar os filhos para uma reunião formal, com uma ordem de trabalhos cujo ponto um é o sexo. "Educar para a sexualidade em casa é promover os afectos, os vínculos, formar para a empatia, para o altruísmo e para o respeito pelo outro."Tudo isto com um toque de espontaneidade. "Desde o princípio, os jovens devem sentir-se à vontade para apresentar as suas dúvidas. São importantes as conversas à hora das refeições e a criação desse espaço de diálogo", acrescenta o pediatra.A maneira como os pais educam sexualmente as crianças vai ser determinante na vida futura. "Interferirá nas relações físicas e emocionais de todo o tipo, na própria relação com os pais, com o seu corpo, com o corpo dos outros. Aprender a respeitar quem está ao seu redor e saber ler melhor as suas emoções", explica Rita Jonet. O grande perigo é que eles aprendam mal. "Nessas idades, o sexo pode ser algo muito traumatizante, caso seja visto como um comportamento selvagem e primário. Há que fazer-lhes perceber o outro lado do sexo - o lado dos afectos."A verdade é que nem sempre é fácil fazê-lo. "Já tive pais no meu consultório que pensam que a melhor maneira de explicar o assunto é mostrar ao vivo", conta a psicóloga educacional. Outros vão pela via mais complicada: "Pedem-me manuais e livros, quando o assunto não pode nem deve ser intelectualizado", defende.O pediatra Lincoln Justo Silva acredita que os medos dos pais têm muito a ver com a sua educação enquanto crianças, num momento em que o mundo e a sociedade eram diferentes. "Está relacionado com os seus estereótipos, educação, mas também falta de formação. É um tabu que temos de ultrapassar. Hoje é dever de um pai informar-se e saber esclarecer o seu filho", afirma. Rita Jonet vai mais longe e acredita que não saber lidar com estas matérias é simplesmente uma questão de "insegurança" dos pais.Depois há a falta de tempo, que, segundo Daniel Sampaio, "é preocupante e exige um maior envolvimento da escola". É importante que os pais saibam qual o seu papel. É natural que um adolescente se sinta mais à vontade para discutir assuntos relativos à sua sexualidade com os amigos, ou com alguém com quem não tenha vergonha. E é aqui que se constrói a divisão entre o que se pode fazer em casa e o que só se pode fazer na escola. É discutível qual deles é o mais importante, mas é consensual o facto de serem complementares. "O que não deve haver são dois mundos separados", diz Gomes Pedro.Em casa, Casimiro Loureiro tenta aplicar essas recomendações, diariamente, com a filha de 16 anos: "A abertura é total, assente nos princípios científicos e morais da sociedade. À medida que as perguntas foram surgindo, a abordagem foi mudando. Inicialmente usámos metáforas e depois fomos explicando melhor."Contudo, é inevitável que algumas perguntas deixem os pais menos à vontade. "Quando falámos sobre a origem dos bebés, ela pedia-me: 'Mas explica-me como se faz!', o que é um pouco mais complicado", graceja.Quanto às metáforas, depende sempre da maturidade da criança. "Metáforas como a da cegonha que traz os bebés constituem estratégias típicas. Tudo é válido", defende Gomes Pedro. Mas aqui nem todos estão de acordo. Há quem defenda que as metáforas são de evitar. "Abrir mão da história da cegonha e percorrer o caminho entre o encontro das duas sementinhas, até às precauções contra uma gravidez não desejada e às doenças sexualmente transmissíveis", contrapõe Júlio Machado Vaz.Há quem até dê dicas. Quando estava grávida, Rita Jonet recorda que explicava ao filho mais velho que "o irmão estava numa piscina muito quentinha a preparar-se para se juntar à família". Durante a infância, a abordagem foi sempre muito informal. Porém, com a adolescência houve mudanças: "Eu e o meu marido optámos por uma via mais formal, em que a minha filha falava comigo e os dois rapazes com o pai", lembra.No fundo, "não existe uma fórmula mágica aplicável a todas as situações", como defende Bruno Inglês. "É fundamental respeitar o próprio ritmo da criança e não forçar a abordagem de determinados assuntos sem que esta manifeste dúvidas e faça perguntas." Independentemente de todas as abordagens, uma coisa é certa, como sublinha Júlio Machado Vaz: "Ficaremos sempre aquém dos pais perfeitos que desejaríamos ser."quinta-feira, 21 de maio de 2009
"Mãe, o que é ser sexy?" Como falar de sexo às crianças
Inês Barbosa é mãe, tem cinco filhos e a sua menina mais nova tem apenas nove anos. Admite que não é uma pessoa muito aberta em matéria de sexualidade. Mas até para uma mãe mais liberal a pergunta "Mãe, o que é ser sexy?" pode provocar um momento de embaraço. Inês optou por responder de forma descomplicada. "Usei um exemplo dos Morangos com Açúcar para que ela entenda", explica a própria ao i.De onde vêm os bebés? É possível engravidar com um beijo? O que é que o pai e a mãe fazem à noite no quarto? Estas são algumas das dúvidas que desde cedo começam a povoar a imaginação dos mais novos.Fórmulas para lidar com o assunto há muitas, mas numa coisa os especialistas concordam: é preciso encarar o tema com a maior naturalidade. Sem tabus."Não banalizando demasiado o assunto, é preciso fazer com que eles sintam que podem contar com os pais se tiverem perguntas difíceis", defende Rita Jonet, psicóloga educacional. Estar à vontade é mesmo a melhor solução. Bruno Inglês, psicólogo clínico e sexólogo, deixa outro conselho: "Não se deve ter medo de adiar as respostas. Se um progenitor é confrontado com uma pergunta, poderá com naturalidade responder: 'O pai não sabe bem responder a isso, mas vou procurar saber e amanhã já te dou uma resposta.' Ou avançar com uma resposta simples e concreta."No entanto, muitos pais ainda não estão preparados. Primeiro é preciso "não terem a pretensão de dar lições aos filhos, respeitando em absoluto a privacidade deles, mesmo quando a angústia nos empurra para diários ou telefones", avisa o sexólogo Júlio Machado Vaz. Os pais devem actuar "através do exemplo", acrescenta Daniel Sampaio. A primeira angústia é saber quando tocar no assunto pela primeira vez. "Deve aproveitar-se, por exemplo, uma imagem na televisão para responder a perguntas", aconselha.A partir dos quatro anos são as próprias crianças que começam a fazer as perguntas. "Se por volta dos seis, sete anos, não tocarem no assunto, é porque algo se passa. E devem ser os pais a propiciar a conversa", diz Rita Jonet. A abordagem é um passo importante. Muito facilmente um adolescente se retrai ao sentir-se invadido ou envergonhado. O pediatra Gomes Pedro explica que há formas de contornar esses sentimentos. Até porque a educação sexual não é convocar os filhos para uma reunião formal, com uma ordem de trabalhos cujo ponto um é o sexo. "Educar para a sexualidade em casa é promover os afectos, os vínculos, formar para a empatia, para o altruísmo e para o respeito pelo outro."Tudo isto com um toque de espontaneidade. "Desde o princípio, os jovens devem sentir-se à vontade para apresentar as suas dúvidas. São importantes as conversas à hora das refeições e a criação desse espaço de diálogo", acrescenta o pediatra.A maneira como os pais educam sexualmente as crianças vai ser determinante na vida futura. "Interferirá nas relações físicas e emocionais de todo o tipo, na própria relação com os pais, com o seu corpo, com o corpo dos outros. Aprender a respeitar quem está ao seu redor e saber ler melhor as suas emoções", explica Rita Jonet. O grande perigo é que eles aprendam mal. "Nessas idades, o sexo pode ser algo muito traumatizante, caso seja visto como um comportamento selvagem e primário. Há que fazer-lhes perceber o outro lado do sexo - o lado dos afectos."A verdade é que nem sempre é fácil fazê-lo. "Já tive pais no meu consultório que pensam que a melhor maneira de explicar o assunto é mostrar ao vivo", conta a psicóloga educacional. Outros vão pela via mais complicada: "Pedem-me manuais e livros, quando o assunto não pode nem deve ser intelectualizado", defende.O pediatra Lincoln Justo Silva acredita que os medos dos pais têm muito a ver com a sua educação enquanto crianças, num momento em que o mundo e a sociedade eram diferentes. "Está relacionado com os seus estereótipos, educação, mas também falta de formação. É um tabu que temos de ultrapassar. Hoje é dever de um pai informar-se e saber esclarecer o seu filho", afirma. Rita Jonet vai mais longe e acredita que não saber lidar com estas matérias é simplesmente uma questão de "insegurança" dos pais.Depois há a falta de tempo, que, segundo Daniel Sampaio, "é preocupante e exige um maior envolvimento da escola". É importante que os pais saibam qual o seu papel. É natural que um adolescente se sinta mais à vontade para discutir assuntos relativos à sua sexualidade com os amigos, ou com alguém com quem não tenha vergonha. E é aqui que se constrói a divisão entre o que se pode fazer em casa e o que só se pode fazer na escola. É discutível qual deles é o mais importante, mas é consensual o facto de serem complementares. "O que não deve haver são dois mundos separados", diz Gomes Pedro.Em casa, Casimiro Loureiro tenta aplicar essas recomendações, diariamente, com a filha de 16 anos: "A abertura é total, assente nos princípios científicos e morais da sociedade. À medida que as perguntas foram surgindo, a abordagem foi mudando. Inicialmente usámos metáforas e depois fomos explicando melhor."Contudo, é inevitável que algumas perguntas deixem os pais menos à vontade. "Quando falámos sobre a origem dos bebés, ela pedia-me: 'Mas explica-me como se faz!', o que é um pouco mais complicado", graceja.Quanto às metáforas, depende sempre da maturidade da criança. "Metáforas como a da cegonha que traz os bebés constituem estratégias típicas. Tudo é válido", defende Gomes Pedro. Mas aqui nem todos estão de acordo. Há quem defenda que as metáforas são de evitar. "Abrir mão da história da cegonha e percorrer o caminho entre o encontro das duas sementinhas, até às precauções contra uma gravidez não desejada e às doenças sexualmente transmissíveis", contrapõe Júlio Machado Vaz.Há quem até dê dicas. Quando estava grávida, Rita Jonet recorda que explicava ao filho mais velho que "o irmão estava numa piscina muito quentinha a preparar-se para se juntar à família". Durante a infância, a abordagem foi sempre muito informal. Porém, com a adolescência houve mudanças: "Eu e o meu marido optámos por uma via mais formal, em que a minha filha falava comigo e os dois rapazes com o pai", lembra.No fundo, "não existe uma fórmula mágica aplicável a todas as situações", como defende Bruno Inglês. "É fundamental respeitar o próprio ritmo da criança e não forçar a abordagem de determinados assuntos sem que esta manifeste dúvidas e faça perguntas." Independentemente de todas as abordagens, uma coisa é certa, como sublinha Júlio Machado Vaz: "Ficaremos sempre aquém dos pais perfeitos que desejaríamos ser."quarta-feira, 20 de maio de 2009
Jardim chama a Santos Silva "ministro SS"
"Espero que o ministro SS [leia-se Augusto Santos Silva] não esteja no próximo Governo da República, seja ele de quem for, até para salubridade da democracia", disse hoje Alberto João Jardim quando confrontado com as declarações do ministro dos sobre a lei da não concentração dos media vir a incluir o próximo programa de governo do PS.As SS eram a tropa de elite do exército nazi.
Piratas, direitos e NetLabels
A guerra à partilha de ficheiros tem um novo capítulo. A condenação em tribunal do The Pirate Bay e a aprovação, por parte do parlamento francês, de procedimentos que bloqueiam o acesso à internet de quem faz o "download" ilegal de multimédia, estão na ordem do dia. Algumas pessoas dirão que é apenas fogo-de-vista, outros acreditam que é o princípio da vitória contra quem desrespeita os direitos autorais.Em Portugal, enquanto não há desenvolvimento legislativo, cerram-se fileiras. De um lado está o Movimento Cívico Anti-pirataria na Net (MAPiNET) e do outro a Associação Liberdade na Era Digital .
Isolado destes dois campos estão artistas e fãs de música que consomem o que editoras online - as chamadas NetLabels - lançam. Nestas plataformas de divulgação, a cultura é gratuita e o download é bem-vindo. Música electrónica, alternativa, experimental, pesada, é promovida por vários selos nacionais como por exemplo:
TestTube - http://www.monocromatica.com/netlabel/
Enough Records - http://enoughrecords.scene.org/
Mimi Records - http://www.clubotaku.org/mimi/pt/main.php
Necrosyphonic - http://www.necrosymphonic.com/
Yellow Bop Records - http://yellowboprecords.com/home.html
Merzbau (RIP) - http://www.merzbau-label.org/
XS-records - http://xsrecordsptnetlabel.blogspot.com/
Editora do Porto - http://doporto.pt.to/
Hard Club Music - http://www.hard-club.com/index_flash.html (clicar na palheta de guitarra)
Haverá sempre música gratuita na internet, basta os autores desejarem ser ouvidos, apreciados e aplaudidos.
«Inglourious Basterds» já chegou a Cannes
O tão aguardado «Inglourious Basterds» entra esta quarta-feira na competição da 62ª edição do Festival de Cinema de Cannes.Brad Pitt, Daiane Kruger, Melanie Laurent e o realizador Quentin Tarantino já chegaram à Riviera Francesa e aguardam a apresentação oficial do filme a acontecer esta noite.
Em declarações à imprensa, a grande estrela do filme, Brad Pitt, afirmou não ter visto o final de «Inglourious Basterds» e que pretende vê-lo em Cannes, salientando sentir-se um privilegiado por ter trabalhado ao lado de Tarantino.
«Inglourious Basterds» conta a história do Capitão Aldo que lidera um batalhão de soldados judeus na altura da Segunda Guerra Mundial. Juntos, espalham o terror entre as tropas alemãs e assassinam brutalmente todos os soldados nazis que lhes aparecem à frente.
Quanto a Quentin Tarantino, este já não é «estranho à casa» de Cannes. Depois da apresentação de «Cães Danados», em 1992, na Quinzena dos Realizadores, levou até ao festival, «Pulp Fiction», arrebatando a Palma de Ouro em 1994.
Uma década mais tarde, Tarantino presidiu o júri do Festival e apresentou três horas de «Kill Bill». Em 2007 entrou de novo na competição com «Death Proof».
Desta vez, o destaque vai para «Inglourious Basterds» que, à semelhança dos anteriores, promete não desiludir.
iol
O triunfo dos feios
Ser dono de uma beleza única era uma expressão que se usava para premiar o invulgar. Mas numa era em que muitos têm à sua disposição meios para serem (mais) bonitos, ser-se único é ser-se naturalmente feio. Porque como ninguém o quer ser, é difícil encontrar alguém com tantos pequenos pormenores e defeitos para se ver. Todas estas considerações dentro da subjectividade da estética. Porque dificilmente alguém é considerado universalmente feio ou bonito. Mas vejamos o exemplo de Rossy de Palma, a actriz fetiche de Pedro Almodovar que será das mais consensuais, dado ter olhos, nariz, boca e dentes feios. Apesar de ser estranhamente feia é a musa do realizador espanhol e já desfilou para Jean- Paul Gaultier e Thierry Mugler. Tudo porque tem algo, carisma, o que os franceses chamam de "je ne sais quoi" . Uma imagem de marca, única, irrepetível. Este fenómeno parece ser o mesmo que se passa com os gémeos Jonathan e Kevin Sampaio que ganharam o globo de ouro de melhor modelo. Serem dois é uma imagem de marca que os destaca e os tem levado a fazer editoriais de moda por todo o Mundo. Eram seguramente os mais feios de todos os nomeados, mas é por não pertencerem aos canônes de beleza convencionais que se destacam. A estética começa a ser marcada pela diferença, não pela beleza. Porque essa é a que memorizamos mais depressa.Cientistas acreditam ter descoberto o “missing link”, o elo perdido que explica a transição entre primatas e a primeira linhagem do Homem.
Cientistas acreditam ter descoberto o “missing link”, o elo perdido que explica a transição entre primatas e a primeira linhagem do Homem.O fóssil de 47 mil anos, baptizado com o nome Ida, foi apresentado esta terça-feira, no Museu de História Natural de Iorque.
Os cientistas acreditam que Ida é a forma ancestral que está na transição entre os primatas superiores, onde se incluiu a espécie humana, e primatas inferiores, como são os lémures. A dúvida sobre quando e como surgiu o Homem pode ter encontrado a resposta em Ida.
Trata-se de um exemplar de cerca de um metro, do sexo feminino e, segundo o pesquisador Jenz Franzen, com características que o aproximam dos primeiros hominídeos. Ao contrário dos lémures, Ida tem unhas em vez de garras, o polegar opositor, o segundo dedo do pé não está em forma de garra e não tem dentes fundidos. Os olhos estão no mesmo plano, o que se traduz numa visão tridimensional, semelhante à nossa e mais afastada da visão dos lémures.
No fóssil, encontrado em excelente estado de conservação, é ainda possível distinguir contornos de pêlos e os restos da última refeição. A descoberta de Ida remonta a 1983, quando um “caçador” de fósseis amador encontrou o fóssil em Messel Pit, na Alemanha. Depois de o guardar durante vários anos, decidiu vendê-lo. Nessa altura o esqueleto do fóssil foi separado em duas partes por coleccionadores, motivo suficiente para que a importância da descoberta não fosse imediatamente reconhecida.
Quando se apercebeu que estava perante um fóssil que poderia resolver uma das maiores incógnitas da humanidade, o paleontólogo Jorn Hurum, reuniu uma equipa de investigadores e, durante os últimos dois anos, realizou uma minuciosa e secreta análise forense ao fóssil.
O nome científico atribuído a Ida é Darwinius masillae, em honra ao 200º aniversário de Charles Darwin, que se comemorou a 12 de Fevereiro de 2009.
Radovan Karadzic negociou acordo de imunidade com EUA
A equipa de defesa do ex-líder bósnio sérvio disse, esta manhã, ter provas de que Radovan Karadzic negociou um acordo de imunidade com um alto cargo norte-americano. Peter Robinson, o conselheiro legal de Karadzic, vai apresentar para a semana as provas de imunidade, que a serem verdadeiras impedem que o ex-líder seja julgado por crimes de guerra. A equipa de defesa vai mover uma moção no Tribunal Internacional Criminal da Ex-Jugoslávia (TPI-J), para pôr um fim às acusações. Baseado num alegado acordo feito em 1996 por Richard Holbrooke, enviado de paz dos Estados Unidos na região na altura, (cuja existência Hoolbroke já negou repetidas vezes), Robinson já agendou uma conferência de imprensa para a próxima segunda-feira, 25 de Maio, onde vai provar tudo isto.Karadzic é acusado de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade, praticados entre 1992 e 1995 durante a guerra bósnia. Karadzic foi preso em Julho de 2008, depois de viver 11 anos sob outra identidade. Enfrenta pena de prisão perpétua pelas acusações.
Jornal "i"
Ideias com futuro

Da casa ao carro. As ideias para tornar mais sustentável o futuro não param de fervilhar na mente humana.Há quem pense nos impactos da construção civil e na eficiência energética dos edifícios, como é o caso do arquitecto José Pequeno, da Universidade do Minho, que desenvolveu um painel modular de madeira e vidro, um painel que dispensa o tijolo e o betão. Este painel foi desenvolvido para fazer casas novas, mas também pode ser utilizado na recuperação de edifícios antigos.
A pensar nas férias no campo nasceu a Eco-Cabana. Uma casa assente em estacas de madeira para não impermeabilizar os terrenos.
A casa foi idealizada pela Cascais Natura e feita a pensar diminuir a pegada ecológica ecológica dos seus ocupantes. Uma casa para férias no meio do campo e toda feita a partir de matérias primas da floresta a começar pelos painéis do interior, em aparas de madeira, e a acabar no revestimento exterior em cortiça.
Na área dos resíduos, João Claro, investigador do Departamento de Química da UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro), criou “lenha” a partir dos desperdícios dos lagares de azeite e do pó de cortiça.
O investigador da UTAD pensa ter assim arranjado solução para 60 mil toneladas anuais de pó de cortiça e para as águas ruças do azeite, uma indústria que tem um impacto ambiental equivalente ao esgoto de dois milhões e meio de habitantes.
As penas das aves também têm um impacto significativo na gestão dos aterros em Portugal. Todos os anos, nos matadouros, são geradas 20 mil toneladas de penas e Romeu Videira, da Escola Superior de Tecnologia de Viseu, pensou criar um bio-plástico a partir dessas penas, é um novo produto resistente a altas temperaturas e que por isso pode vir a ser utilizado em roupas para bombeiros.
Estas são algumas das dez ideias que a Grande Reportagem TSF desta semana foi à procura. São dez projectos que mobilizam a comunidade científica portuguesa para as questões do ambiente.
José Milheiro.
tsf
Educação Sexual nas Escolas
A história ocorrida numa sala de aulas da Escola Básica 2,3, de Espinho e contada na comunicação social, é bem exemplificativo do que se passa no ensino em Portugal e de alguns preconceitos de uma sociedade atrasada e onde nada anda e nada se define e tudo demora demasiado tempo a fazer-se.Há quantos anos se anda a falar sobre a educação sexual nas escolas? 20 anos? Mais?
O que poderia já ter sido feito e não se fez, em parte devido ao atraso, ao preconceito e ao tabu que esta questão é para grande parte da população?
Se algo já tivesse sido feito ao longo dos anos, concretamente aplicando legislação que já existe, hoje haveria já alguma experiência e seria corrigido o que tivesse corrido menos bem. Mas não! Fazem-se leis que não são regulamentadas, ou, mesmo sendo-o, não são aplicadas e depois temos alguém que, por sua própria conta e risco, e sem que tal matéria faça parte da disciplina que lecciona, vai para a sala de aulas dizer disparates, uma vez que não tem em conta a camada etária a quem se dirige nem o local onde está a proferir tais opiniões. E faz ameaças.
Não sou a favor de algumas ideias mais ou menos aberrantes que por aí circulam sobre o não uso do preservativo, nem tão pouco defendo que a vida sexual se inicie no 12 ou 13 anos ou mesmo nos anos seguintes. No entanto, sou a favor de que os jovens, se caírem em tentação, estejam minimamente preparados e ter conhecimento dos riscos que correm no caso de terem determinadas práticas, a fim de se evitarem não só gravidezes indesejáveis com também doenças como o HIV ou outras.
PS). Depois de escrever este texto voltei a ver as imagens televisivas, já com legendas, e pareceu-me que a professora, em vez de condenada social e profissionalmente, deverá, antes, ser acompanhada por técnicos de saúde e do Ministério da Educação dado que, por um lado, aquilo que diz nada tem a ver com educação sexual, como também me parece que a maneira com diz, não é nada adequada para as funções de professora, que desempenha.
Portugal, as mulheres e as Forças Armadas
Sete verdades para umas novas Forças Armadas
Modelo: países aliados e bem mais desenvolvidos que Portugal há muito reorganizaram a estrutura da Defesa/FA (Canadá e Alemanha, entre outros). Criaram o Estado-Maior da Defesa junto do Ministério da Defesa, chefiado por um general de quatro estrelas, único general deste posto nas FA. Reuniram e racionalizaram uma série de comandos, unidades, órgãos e serviços dos três ramos militares.Sistema de forças: a experiência da última década permite aquilatar das previsíveis necessidades de forças, a par das capacidades financeiras do país para a sua sustentação. Em vez do sistema de quintas (ramos), FA com um efectivo produto operacional conjunto.
Escolas, unidades e quartéis: a Academia Militar do Exército, aumentada do terreno do antigo Regimento de Comandos, para os cadetes dos três ramos; dois pólos, numa base aérea e na base naval do Alfeite, para a formação complementar dos cadetes da Força Aérea e da Marinha.~
Reduzindo as entradas nos quadros permanentes e abrindo a entrada a quadros contratados, facilitar as carreiras e terminar de vez com o que se tem passado: fuga de pilotos para o mercado civil; reduzida ocupação profissional dos quadros; capitães excedentários relativamente ás forças constituídas.
As quatro escolas práticas das armas do Exército, passam a funcionar na zona de Tancos/Santa Margarida, na actual escola prática de Engenharia-EP inter-armas.
Equipamentos: o país conta com uma experiência muito negativa no campo dos grandes investimentos em armamento, que depois não tem capacidade de operar, nem campo para utilizar: segunda esquadra de F-16 (40 aviões no total); dois novos submarinos (900 milhões de euros); 260 blindados de rodas (364 milhões); carros de combate de lagartas (37 tanques/80 milhões); aviação do Exército (!). Sem ter dotado as FA de 30 mil novas espingardas, mantendo a arma da guerra colonial.
EMD: a crise financeira veio impedir o MDN e o Exército de levarem por diante a construção faraónica de um novo Estado-Maior na Amadora, projecto da década de 90 (15 milhões de contos, na altura). Um futuro EMD, ajustado à geografia, economia e população militares, cabe perfeitamente no complexo do Estado-Maior da Força Aérea em Alfragide. Com o MDN.
Futuros regimentos: em Vencer a Guerra (1984), o antigo subchefe do Estado-Maior da Força Aérea francesa, general Étienne Copel, sublinhando o papel da estrutura operacional, retirava a componente operacional da tutela dos comandantes de regimento. Tal acabou por suceder em Portugal na década de 90, reduzindo a responsabilidade dos coronéis, limitada a alguns apoios logísticos e administrativos de base. Um bom quadro para o enriquecimento das funções dos comandantes de batalhão, atribuindo-lhes o comando completo do regimento.
Orçamento: a degradação remuneratória dos militares aconselha a que, com as reduções de custos do sistema, seja mantido o valor do orçamento da Defesa, permitindo pagar melhor sem sobrecarregar os contribuintes.
José Barroca MonteiroCoronel pára-quedista
Tabaco
José Calheiros falava à agência Lusa a propósito do segundo Congresso Ibérico de Tabacologia, que decorre entre quinta-feira e sábado em Lisboa, dedicado ao tema «controlo do tabagismo e desenvolvimento humano».Este especialista lamentou a forma como a lei do tabaco está a evoluir, embora lembre que a mesma já entrou em vigor com «graves lacunas».
Entre as falhas, José Calheiros destaca a possibilidade de alguns espaços fechados poderem optar por serem livres de fumo ou permitirem o tabaco.
O resultado começa agora a ver-se: «Temos assistido a um aumento de espaços - como restaurantes - que não permitiam o fumo e que agora optaram por deixar os clientes fumar», disse.
Este professor de Medicina Preventiva na Universidade da Beira Interior considera que a lei foi assim formatada para «servir os interesses, nomeadamente da Tabaqueira Nacional».
«A lei tem mais em conta os interesses da Tabaqueira do que os da saúde pública» , acusou.
Por estas razões, adiantou, os portugueses não estão a fumar menos e os não fumadores continuam sem estar totalmente livres do fumo passivo, adiantou.
José Calheiros duvida, por isso, dos dados da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que recentemente revelou que, desde a entrada em vigor da lei, no início do ano passado, cada fumador fuma em média menos nove cigarros.
«Com todo o respeito que merece a DGS, contrapomos esses números com os do Eurobarómetro» , numa referência ao indicador da Comissão Europeia.
Segundo a Sociedade Portuguesa de Tabacologia, «os serviços de saúde portugueses não documentam qualquer diminuição da ocorrência de enfarte do miocárdio».
As críticas de José Calheiros estendem-se ainda ao desempenho do órgão fiscalizador - a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) - que acusa de não facultar dados sobre as medidas tomadas nesta área.
Dados da ASAE revelam que, no ano passado, este organismo instaurou 950 processos de contra-ordenação, dos quais 505 foram remetidos por outras entidades, tendo sido instaurados 173 processos e enviados, para a Comissão de Aplicação de Coimas em Matéria Económica e de Publicidade, 272 processos já concluídos para posterior decisão.
Para o presidente da SPT, a Lei do Tabaco «precisa de uma nova força e uma nova estratégia».
As expectativas são, por isso, muito grandes em relação ao congresso que começa quinta-feira.
Do encontro, que reúne especialistas nacionais e internacionais, José Calheiros destaca um tema: as desigualdades e os grupos mais vulneráveis.
Para o especialista, é este o público alvo das estratégias de marketing das tabaqueiras e é esta a população que «não pode escolher, porque não está devidamente informada» sobre as consequências do fumo.
Lusa / SOL
ONU apresenta a primeira universidade global online e de matrícula gratuita
Este novo projecto educativo, chamado a Universidade do Povo (http://www.uopeople.org/), surge no âmbito da Aliança Global da ONU sobre Tecnologia de Comunicação e Desenvolvimento (GIAD) para ajudar a colmatar as brechas internacionais em matéria de educação com o recurso às novas tecnologias.«Para centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, a educação é um sonho que não se pode tornar realidade», disse numa conferência de imprensa o fundador da Universidade do Povo, Shai Reshef.
Recordou que a pobreza, a ausência de instituições de educação superior ou as limitações físicas impedem muitos jovens de continuar os seus estudos.
«Abrimos a porta para que possam continuar os estudos e aspirar a uma vida melhor», afirmou.
Indicou que a universidade abriu discretamente as matrículas há duas semanas e conta já com 200 alunos de 52 países, muitos dos quais da China.
Reshef explicou que o centro recorrerá à tecnologia aberta e métodos de aprendizagem pela Internet e aos contactos entre alunos para que os cursos custem o menos possível.
Os requisitos para se matricularem são o acesso a um computador, um diploma de educação secundária e um certo nível de inglês.
Os alunos dividir-se-ão em classes virtuais de 20 membros com acesso semanal aos materiais de cada curso, que poderão discutir entre eles, para depois de apresentarem a um exame online.
Também poderão consultar professores e estudantes de pós-graduação voluntários, para que os assessorem e resolvam dúvidas.
Reshef reconheceu que o acesso a um computador ligado à Internet é uma grande limitação para os potenciais alunos que vivem nos países mais pobres, realçando que os requisitos técnicos para aceder aos cursos são mínimos.
Só é necessária uma ligação telefónica (dial up), já que os cursos não contam com elementos multimédia.
Os únicos gastos para os alunos são uma matrícula que varia entre os 15 e 50 dólares, dependendo do país, e 10 a 100 dólares por cada exame.
Reshef assinalou que a universidade necessita de seis milhões de dólares, dos quais pôs um milhão, para pôr em marcha todas as suas operações e cerca de 15 mil estudantes para sustentá-las.
Lusa / SOL
A vida de Calouste Gulbenkian, finalmente em português
A biografia de Calouste Gulbenkian, 'O Senhor cinco por cento', de Ralph Hewins, é editada pela primeira vez em Portugal, procurando traçar o perfil pessoal e de homem de negócios, 52 anos depois da sua primeira edição em língua inglesaDefende o autor, que Calouste Gulbenkian foi «o maior homem do petróleo que a Europa já produziu».
Adquiriu o epíteto 'senhor cinco por cento' pela participação que detinha na Iraq Petroleum Company (IPC), depois do papel que desempenhou no consenso que se estabeleceu em 1928 entre a Anglo-Persian Oil Company, o Royal Dutch Shell Group, a Compagnie Française des Pétroles e o Near East Development Corporation, que se baseia na célebre red line - uma linha traçada sobre o mapa do ex-Império Otomano - desenhada pelo próprio Calouste Gulbenkian, e que foi o seu maior êxito.
Apesar de editado mais de 50 anos depois em Portugal, a quem Gulbenkian deixou uma Fundação com fins culturais, científicos e sociais, e quando se celebram 140 anos do seu nascimento, a editora considera que o livro «mantém a frescura e a actualidade».
'O Senhor cinco por cento', editado pela Texto, divide-se em três partes, e inclui uma cronologia da evolução da IPC, e ainda uma árvore genealógica.
A primeira parte vai de 1869, quando nasceu Calouste Gulbenkian, na Arménia, a 1914, ano em que se iniciou a I Grande Guerra.
A segunda desde aquele ano até 1955, quando a IPC se torna o sexto produtor mundial de crude, e a terceira sobre os últimos dias do negociador, que morreu a 20 de Julho de 1955 no luxuoso Hotel Aviz, em Lisboa, aos 86 anos, onde vivera, aliás, os últimos 11 anos.
Para Ralph Hewins, «a era em que um homem podia construir um negócio suficientemente grande para financiar um país inteiro tinha chegado ao fim».
Referindo-se a Calouste Sarkis Gulbenkian no plano pessoal, o autor escreve que «levou a discrição ao extremo», tendo até escrito que «a coisa mais preciosa que o dinheiro pode comprar é a privacidade».
Daí que fosse raro vê-lo em festas ou outros acontecimentos mais mundanos senão encontrasse lá alguém que lhe fosse necessário ou interessante.
Referindo-se ao livro 'Who's who', que resume a sua biografia em duas linhas, Hewins qualifica-as de eufemistas e enganadoras, propondo a seguinte versão: «financeiro, industrial, religioso, filantropo, conhecedor e Casanova».
De facto Gulbenkian, era um «conquistador de corações femininos», revela o autor, acrescentando que o homem de negócios se orgulhava da sua virilidade.
«Cuidava de si com esmero», escreve, referindo que era moderado na alimentação, frugal nos vinhos, «fazia por estar em forma», e «por vezes era considerado hipocondríaco».
Estava sempre rodeado de vários remédios e tinha dois médicos sem que nenhum soubesse do outro, para poder confrontar os respectivos diagnósticos.
O facto é que gozou sempre de boa saúde até aos 83 anos, segundo Hewins.
Era «cauteloso» e «desconfiado», afirma o autor justificando tais comportamentos herdados dos seus antepassados vítimas de vários massacres.
Tinha «parcimónia» com o dinheiro e evitava «um único xelim desnecessário».
Todavia o autor interroga-se se seria «o homem mais avarento do mundo», tanto mais que quando morreu doou «ao mundo» os seus bens e a sua fortuna no montante de 25 milhões libras (mais de 28 milhões de euros ao câmbio actual) e rendimentos anuais que somavam cinco mil milhões de libras(5,5 mil milhões de euros), «que depressa» duplicou.
Lusa / SOL





