quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Clinton As sete vidas do ex-presidente mais popular do mundo

George Washington foi fazendeiro depois de abandonar a política, Ronald Reagan e mais 13 ex-presidentes norte-americanos tornaram-se escritores e Thomas Jefferson foi isso tudo e ainda reitor da Universidade de Virginia. Outros, oito até à data, morreram no exercício das suas funções, mas a maioria teve uma segunda vida longe dos holofotes, passada num escritório de advogados, num rancho ou a caçar animais em África, como Theodore Roosevelt.Não é o caso de William Jefferson Clinton, chefe da Casa Branca entre 1993 e 2001. Desde que trocou Washington por Nova Iorque, já foi enviado especial da ONU, activista ambiental, conferencista, angariador de fundos a favor das vítimas da sida, tsunamis e furacões, assistente durante as primárias democratas e agora negociador ao serviço do homem que derrotou a sua mulher, Hillary Clinton. Ontem aterrou em Los Angeles com uma vitória valiosa: a liberdade de duas jornalistas condenadas pela Coreia do Norte a 12 anos de prisão e trabalhos forçados por entrarem ilegalmente no país, em Março. Os passageiros do avião privado foram recebidos por um enxame de jornalistas e familiares emocionados. "Pensámos que estavam a enviar-nos para um campo de trabalho, mas de repente fomos levadas para uma sala de reuniões e quando a porta se abriu vimos ali... o presidente Clinton. Ficámos comovidas e soubemos que o pesadelo das nossas vidas tinha chegado ao fim", contou ao chegar a repórter Laura Ling, de 32 anos.Depois de estar quatro meses sem ver a mãe, a filha da colega de cativeiro, Euna Lee, não soltava o pescoço da outra jornalista retida pelas autoridades de Pyongyang. Não era para menos. Se não fosse pela mediação dos Clinton, marido e mulher, as duas jovens teriam pago caro a curiosidade que levou-as a fazer uma reportagem sobre tráfico de mulheres na fronteira norte-coreana com a China."Quero agradecer ao presidente Bill Clinton, com quem já conversei, os extraordinários esforços humanitários que resultaram na libertação das duas jornalistas", disse o actual chefe de Estado, Barack Obama. O mérito foi todo para o marido, mas as negociações para terminar o cativeiro de Ling e Lee foram iniciadas pela secretária de Estado, Hillary Clinton.Segundo a imprensa norte-americana, a chefe da diplomacia esteve activamente envolvida no caso, pressionando e propondo enviados especiais para a tão delicada missão. Sugeriu os nomes do ex-vice-presidente Al Gore, fundador da Current TV (a empresa a que pertencem as repórteres), e o do governador do Novo México, Bill Richardson, um negociador bem sucedido no passado.Em vão. O enviado "não oficial" imposto pelos norte-coreanos foi outro, Bill Clinton, um político popular na Ásia e o último presidente dos Estados Unidos a enviar um representante a Pyongyang. Foi em 2000, mas anteriormente tinha enviado Jimmy Carter, outro ex-presidente com vocação e talento diplomático.Prestes a fazer 63 anos, o ex-governador do Arkansas provou que ainda pode ser útil ao mais alto nível, e até eclipsar o trabalho de Hillary. Disse-o em entrevistas recentes: quer ajudar Obama e a mulher, mas sem se meter "no caminho deles".
ionline
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