quarta-feira, 5 de maio de 2010

PORQUÊ EMPRESTAR 2 MIL MILHÕES À GRÉCIA? E QUEM NOS EMPRESTA?

A economia da União Europeia está seriamente comprometida, a ponto de se questionar o sucesso da moeda única, o Euro, que em vez de ser um motor de crescimento, está a comprometer a nossa competitividade junto das grandes potências mundiais e está a provocar o estrangulamento económico de alguns países da Zona Euro. Será culpa do Euro ou apenas culpa dos países que foram «maus alunos» a economia? Pelo que as grandes potências da União Europeia (UE) como a Alemanha, dirão é que a culpa é dos países que se portaram mal e não souberam controlar as contas públicas, de forma a controlar os défices excessivos.


O certo é que, os países que pertencem ao PIGS (Portugal, Itália, Grécia e Espanha) estão em «maus lençóis» e terão de resolver, o mais rapidamente, as contas internas, sob ameaça dos outros países que nos consideram culpados de tudo. Ameaças a Portugal começam a ser directas e por mais disfarçados que pretendemos passar na nossa extremidade geográfica europeia, estamos a ser permanentemente apontados.

O caos económico em que a Grécia se encontra a viver neste momento é extremamente grave e por isso é evidente a revolta social que se tem visto através das notícias que nos chegam, denunciando uma explosão social sem precedentes e à qual não sabemos onde terá o seu máximo e quais as graves consequências que daí podem resultar. Grave o que por lá se vive e que já em outros anos se havia manifestado, ainda que numa dimensão inferior à actual. Nem com os anúncios efectuados pelo Governo e pela União Europeia, que em conjunto com o FMI, pretendem dar uma ajuda de largos milhões para tentar erguer a economia. Parece que este dinheiro por si só não está a gerar o efeito de calmante social que se desejaria. Parece que falta algo mais na economia da Grécia que os gregos tentam transmitir, mas que não está a fazer eco junto dos decisores da UE.

Enquanto isso, Portugal irá comparticipar com uma ajuda que chega a rondar os dois mil milhões de Euros, sendo que 775 milhões terão de ser dados ainda este ano. Se o nosso país também vive sob uma crise financeira de longa duração, a quem nos pedem para «apertar o cinto», questiono-me: Como vamos emprestar dois mil milhões de Euros? Como não temos esse montante para emprestar, ainda que faseadamente, teremos de também pedir emprestado ao exterior e pagar juros sob esse valor a pedir. Daqui resulta mais um estrangulamento na nossa economia e um aumento de dívida pública. Não diga o senhor Ministro das Finanças que as coisas não são bem assim, mas a realidade é esta. Estamos em crise, endividados e vamos endividarmo-nos mais para tapar um outro buraco. Será que existe alguém que nos vai emprestar um montante para tapar o nosso fosso e esse alguém também tenha de pedir emprestado? Desta forma, criamos um ciclo vicioso de empréstimo, em que a UE será condenada ao caos económico.

É certo que vivemos numa comunidade e que todos os países têm de ser solidários com aqueles que precisam e até porque também poderemos a vir a necessitar de ajuda financeira para tentar equilibrar o estrangulamento económico em que vivemos. Mas, aqui a teoria do Bom Samaritano poderá ser uma má solução para ambos os países.

Como pode um país como a Grécia ou mesmo como Portugal chegar a este caos económico? Onde foi parar o dinheiro? Onde estão os fundos enviados pela UE? Costuma-se dizer que o dinheiro onde está não fala. Muitos terão «enchido o bolso» à custa de outros. Assim vai a nossa economia, uma economia para alguns para desespero de outros. Certamente que os Gregos não querem apenas dinheiro, se calhar as vozes de protesto são pela forma como a economia está organizada em beneficio apenas de alguns que acumulam poder, império, enquanto outros pedem para comer ou são condenados ao desemprego. Uma nova organização social precisa-se porque a actual não melhorou o estado do Mundo e da Europa. Se dizem que o modelo Socialista não foi a solução, também não foi o modelo Capitalista e Neoliberal.

Será que em Portugal também é necessário uma outra organização social?

Por: Manuel de Sousa
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