domingo, 21 de junho de 2009
Portugal vai acolher "número pequeno" de detidos de Guantánamo
O enviado especial dos EUA para o encerramento da prisão de Guantánamo, Daniel Fried, afirmou que Portugal deverá receber um "número pequeno" de detidos.Em conferência de imprensa, realizada esta sexta-feira em Lisboa, o responsável norte-americano disse ainda que o número de pessoas a receber "depende de Portugal", não tendo as conversações com o Governo português "chegado tão longe ainda" no que refere ao número de ex-detidos que Portugal irá receber.
"Nas próximas semanas continuaremos a falar com o Governo português sobre coisas mais específicas", referiu o enviado especial dos EUA, deixando para essa altura uma conclusão sobre o número de pessoas a acolher por Portugal.
Daniel Fried afirmou ainda que poderão existir fundos norte-americanos para países acolhedores de detidos de Guantánamo, valores "baixos" para "despesas reais", não "para pagar aos países para receber" as pessoas.
dn
A palavra é de ouro no Festival Silêncio
Chamar Festival Silêncio! a um festival que celebra a palavra poderá parecer provocatório. Poderá? Pois claro, senão vejamos: entre 18 e 27 de Junho, por clubes e auditórios lisboetas celebrar-se-á a palavra ela mesmo, proferida e soletrada sem outro enquadramento. Celebrar-se-á toda a sua capacidade expressiva quando se une a algo mais. Expliquemo-nos. Entre 18 de 27 de Junho, Lisboa acolherá o Festival Silêncio, projecto desenvolvido pelo Goethe-Institut, pelo Instituto Franco-Português, pela editora 101 Livros e pelo Musicbox. Debates, conferências, concertos, DJ sets e VJ sets, leituras encenadas, sessões de spoken-word e uma "poetry slam" (já explicamos).Discutir-se-á e serão lançados audiolivros (dia 19, no Goethe-Institut, Kilian Kissling, da editora Argon-Verlag, falará do panorama alemão e o actor Filipe Vargas fará uma leitura encenada d'"O Banqueiro Anarquista"). No Musicbox, ainda dia 19, Adolfo Luxúria Canibal apresentará o espectáculo "Estilhaços" e Sam The Kid, Viriato Ventura (seu pai, poeta que ouvimos no álbum "(Pratica) mente"), o anglo-polaco radicado em França John Banzai e o actor Marc-Uwe Kling participarão numa sessão de "poetry slam", "batalhas de poesia". À semelhança do "freestyle" do hip hop, em que vários declamadores têm três minutos para interpretar em palco uma criação poética, habitualmente da sua autoria, que será posteriormente avaliada por um júri seleccionado a partir do público - o músico e escritor Saul Williams é, nos Estados Unidos, um dos maiores defensores de um movimento que, à medida que se internacionalizou, se foi desmultiplicando em diversos formatos (em Nova Iorque, há beatbox em palco e na Suécia é habitual os declamadores serem acompanhados por músicos).
Na programação do Festival Silêncio, realce natural para "Tout Ira Bien", dia 25, no Instituto Franco-Português: Alex Beaupain, autor de três bandas sonoras para Christophe Honoré, vai ao encontro das palavras de Kétnhévane Davrichewy ("Tout Ira Bien" é o seu primeiro romance) e do violoncelo de Valentine Duteuil.
Ao longo dos dez dias, destaque também para a sessão dedicada a Jacques Prévert: "A Voz dos Poetas... Na Escuridão", dia 25 no Instituto Franco-Português, ou para as noites "Absolut Poetry -Spoken World" que, além de "Estilhaços", incluem concertos de Wordsong (dia 20), Os Malditos (Mário Cesariny por Rodrigo Leão, Gabriel Gomes, Rogério Samora e Viviena Tupikova, dia 25), um concurso de Poetry Slam com JP Simões por anfitrião (dia 26) e, no dia seguinte, um espectáculo protagonizado pelos MCs Sagas, Ruas, NBC e Bob Da Rage Sense, com DJ Ride a tomar conta dos pratos. Mais informações em http://www.festivalsilencio.com/
Novo Aeroporto adiado para o pós-eleições
O lançamento da fase inicial do concurso para a construção do novo aeroporto de Lisboa, estava previsto para o primeiro semestre de 2009. Mas, apurou o DN, só vai ser lançado no início de 2010.Quando em finais de Janeiro de 2008, o Governo anunciou a transferência do investimento da Ota para Alcochete, os calendários tiveram que ser todos revistos. Com a alteração do quadro, houve necessidade de abrir novo concurso para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental para Alcochete, que só no início deste mês de Junho foi adjudicado à DHV, uma empresa que faz consultadoria na área do ambiente.
O estudo demora, pelo menos sete meses a ficar concluído, pelo que o lançamento do concurso só acontecerá em Janeiro de 2010. Uma fonte do Ministério das Obras Públicas afirmou ao DN que o adiamento do lançamento do concurso para o início do próximo ano é "uma inevitabilidade".
Para que o processo relativo ao novo aeroporto não ficasse parado, o Governo programou para esta fase a pré-qualificação de candidaturas à construção da obra. No entanto, o "decepcionante" resultado das eleições europeias e a consequente argumentação da presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, sobre a falta de legitimidade do Governo para tomar decisões quanto aos grandes investimentos públicos, fizeram com que, por enquanto informalmente, se tomasse a decisão de esperar pelos resultados das eleições legislativas, deixando para o novo Governo a decisão. "A dúvida é saber se se mantém a fase de pré-qualificação ou, pura e simplesmente, se faz apenas o concurso", adiantou a mesma fonte.
Ao contrário do TGV, cujo concurso foi lançado há mais de um ano, pelo que falta apenas a adjudicação do primeiro troço entre o Poçeirão e Caia, no caso do novo aeroporto trata-se de encetar um novo processo de raiz. Por isso, e em função do calendário eleitoral, foi considerado prudente não avançar com a pré-qualificação, embora não houvesse nada na lei que o impedisse. Ainda assim, e perante as 'pressões' da oposição e do Presidente da República, que tem insistido na necessidade dos investimentos públicos obedecerem a uma análise rigorosa de custo/benefício, o Governo optou por adiar também esta decisão.
A líder do PSD já disse publicamente que caso venha a formar governo "risca" o projecto do TGV, mas sobre o novo aeroporto nunca deixou clara a sua posição. O DN sabe que, quando Manuela Ferreira Leite contesta o programa de Obras Públicas do Governo, refere-se, sobretudo, à rede de auto-estradas e à Alta Velocidade. Quanto ao aeroporto, considera-a uma obra inevitável, e sendo a sua construção faseada como está previsto, não oferece grandes objecções.
dn
Angelina Jolie sai em defesa dos refugiados
Angelina Jolie, embaixadora da boa vontade do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), arregaçou as mangas para alertar consciências para o problema dos refugiados.
A actriz gravou um vídeo com o objectivo de chamar a atenção das autoridades e da população para os milhões de refugiados, obrigados a abandonar as suas casas, para fugir da guerra e perseguições várias.
Em vésperas do Dia Nacional do Refugiado, que se assinala a 20 de Junho, a actriz surge no vídeo com uma postura séria e deixa o aviso: «Os refugiados são as pessoas mais vulneráveis à face da terra. Lutam todos os dias pela sobrevivência e merecem todo o nosso respeito. Por favor, não se esqueçam deles. O Dia Mundial do Refugiado serve para isso».
Brasil-Esquadrões da morte marcar para morrer
São polícias os carrascos implacáveis que fazem 'justiça' com as próprias mãos. Matam e torturam por encomenda ou motivos pessoais. Um relatório da polícia revela que um esquadrão matou 12 pessoas só em São PauloDespem-no e prendem-lhe as mãos aos pés com uma corda áspera que lhe queima a pele. Penduram-no num pau, vendam-no e começam a dar-lhe choques eléctricos. Ouvem-se berros agoniados. Ou ele confessa, ou torturam-no até à morte. Esta é uma cena do filme Baptismo de Sangue, do realizador brasileiro Helvécio Ratton, sobre a ditadura militar no Bra- sil (1964-1985), baseado nos grupos de tortura legitimados pelo Estado.
"Depois de mortos, cortavam as mãos e os pés às vítimas, para que não fossem identificados", relembra ao DN Ana Paula Miranda do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. A memória incomoda, envergonha, e verga, ainda, o estereótipo dessa "repressora polícia brasileira" ao imaginário colectivo actual. Por isso, quando no início deste ano, a Polícia Civil de São Paulo publicou um relatório que denunciava a existência de um grupo de esquadrão de morte, "Os Highlanders", que actuava no interior de São Paulo e que terá matado 12 pessoas, os fantasmas da ditadura voltaram.
Os cadáveres foram encontrados decapitados e os crimes "terão sido cometidos" por 15 elementos da Polícia Militar (PM) de São Paulo, conforme conclui o relatório a que o DN teve acesso. O método "lembra os esquadrões de morte que surgiram na ditadura militar", recorda António Funari Filho, provedor da PM. Os polícias indiciados estão presos e esperam julgamento. Mas o cenário continua.
"Sabemos que, actualmente, há esquadrões de morte em, pelo menos, 15 estados brasileiros", relata Tim Cahill, pesquisador da Amnistia Internacional (AI) sobre o Brasil. Ele denuncia que muitos são carrascos a mando de "vários deputados estaduais". "Depois da ditadura não houve uma limpeza desses métodos de extermínio, como mecanismo de segurança pública. Houve um reforço, até", denuncia.
Os relatórios deste ano das organizações internacionais Human Rights Watch (HRW), AI, Comissão Interamericana de Direitos Humanos e do Departamento de Estado norte-americano revelam que "a polícia brasileira mata muito e que está envolvida em milícias e crimes" mas reconhecem, ainda, que a pressão policial é "muita para o alto índice de criminalidade".
Por ano, divulga a HRW, "ocorrem, no Brasil, quase 50 mil homicídios" e '' há vários relatos de envolvimento de polícias em homicídios por vingança; intimidação e morte de testemunhas que prestariam depoimentos contra oficiais de polícia''. O relator especial da ONU sobre Execuções Extrajudiciais, Philip Alston, reforça, num relatório, que a actividade dos esquadrões da morte no Brasil é, "em regra, feita por polícias fora de horário de trabalho; envolve mortes por encomenda; como forma de extorsão de dinheiro da população, sob ameaças" e implica, ainda, "homicídios ou intimações em nome de comerciantes, políticos e proprietários de terra" contra trabalhadores sem terra ou indígenas em "situação de conflito agrário".
No Rio de Janeiro, por exemplo, "o esquadrão de morte" mais conhecido é o Batalhão de Operações Policiais Especiais, cuja história foi adaptada ao cinema no filme Tropa de Elite, pelo realizador José Padilha. "A actuação dessas milícias no Rio é uma forma de domínio e controlo da população local", diz o sociólogo brasileiro Ignacio Cano, e que "estão envolvidos com outros negócios obscuros".
Cahill fala em "impunidade" desses agentes e que "falta intervenção" do Estado. "Mataram um juiz no [estado do] Espírito Santo que julgava um caso de extermínio. Os assassinos continuam à solta", conta Cahill. "Essa contínua violação de direitos humanos é selvagem e recorrente".
dn
Marcha LGBT reúne mais de mil pessoas em Lisboa
Mais de mil pessoas desfilaram hoje na 10ª edição da marcha do orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros) em luta pela igualdade de direitos, fazendo desta a melhor edição de sempre aos olhos da organização.Debaixo de um sol abrasador, a concentração começou no jardim do Príncipe Real, em Lisboa, onde muitas centenas de pessoas responderam a mais um desafio da ILGA Portugal e deram a cara pela luta na igualdade de direitos entre todos os cidadãos, independentemente da sua orientação sexual.
"Este é um momento simultaneamente de celebração e de reivindicação onde vamos afirmar que o espaço público é nosso e afirmar também que temos, como qualquer cidadão, de ter exactamente os mesmos direitos e vamos mais uma vez reivindicar a igualdade perante a lei, nomeadamente no acesso ao casamento civil", adiantou à Lusa o presidente da ILGA Portugal, Paulo Côrte-real.
Zara Barbosa, travesti, é participante na marcha desde a sua primeira edição, em 2000. "Acho importantíssimo porque é a nossa força e queremos fazer mais força para que se mudem mais depressa as mentalidades das pessoas porque ainda falta mudar muito", justifica.
Ricardo Duarte, por seu lado, vem à manifestação porque se sente um "cidadão de segunda".
"Como homem homossexual acredito que em Portugal vivemos num estado apartheid em que uns têm certos privilégios e direitos que outros não têm e eu contribuo plenamente e cumpro os meus deveres como cidadão, mas como cidadão homossexual, não tenho o direito de usufruir de todos eles que é coisa que, por exemplo, o meu irmão tem", salientou, referindo-se ao facto de não poder casar ou adoptar uma criança.
Ao som de muita música e de palavras de ordem como "Nem menos, nem mais, direitos iguais" ou "Seja homem ou mulher, eu amo quem quiser", a marcha saiu lentamente do Príncipe Real com vista à Praça dos Restauradores.
Para a organização, que à Lusa disse terem aderido mais pessoas do que no ano passado, que então reuniu cerca de mil pessoas, esta é possivelmente a melhor marcha de sempre.
"Não é uma questão de números que é relevante, é sobretudo o entusiasmo que as pessoas sentem e julgo que esse entusiasmo é palpável este ano, em que temos de facto um percurso claro em direcção à igualdade", sublinhou Paulo Côrte-real.
Para o presidente da ILGA Portugal, apesar de entender que muito ainda está por fazer em matéria de igualdade de direitos, desde a primeira edição da marcha, em 2000, a comunidade LGBT já conseguiu algumas vitórias.
"Houve de facto uma alteração substancial em 2004 com a revisão Constitucional que passou a incluir a orientação sexual no conjunto de categorias em função das quais ninguém pode ser discriminado", apontou Paulo Côrte-real.
Com passagem pela Rua São Pedro de Alcântara, Largo Luís de Camões, Rua Garrett, Rua do Carmo, Rossio, a marcha terminou nos Restauradores, onde os representantes de todas as associações envolvidas na organização iriam depois discursar.
A organização deste ano contou com o apoio, para além da ILGA Portugal, da Associação Cultural Janela Indiscreta, a Associação para o Planeamento da Família, os Médicos pela Escolha, a ATTAC Portugal, a Não te Prives, as Panteras Rosa, o Grupo de Católicos Homossexuais, a Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Homens e Mulheres, a SOS Racismo, a União de Mulheres Alternativa e Resposta e a Rede Ex-aequo.
dn
Mulheres sem-abrigo são sujeitas a "dupla discriminação"
As mulheres sem-abrigo de Lisboa são mais jovens que os homens, estão desempregadas ou têm trabalhos em que não descontam para a Segurança Social.Estas são as conclusões de um estudo da Fundação AMI, que aponta para uma condição de "dupla discriminação".
"A pobreza coloca-as numa situação de dupla discriminação em relação à maioria das mulheres", aponta o estudo, sublinhando que "na vida destas mulheres a família ou o Estado não tiveram um papel protector ou gerador de autonomia".
Segundo a investigação, "este perfil de mulher não se enquadra em nenhum modelo social", vivendo uma situação de "nudez social".
"Ela é vítima de pobreza extrema, uma espécie de fim de linha, na vida dela quase tudo falhou", refere.
O estudo, elaborado pela investigadora Ana Ferreira Martins, da Fundação da Assistência Médica Internacional (AMI), venceu o prémio municipal Madalena Barbosa, de promoção da igualdade de género.
A investigadora entrevistou os utentes dos centros da AMI de Lisboa, em Chelas e Olaias, entre Janeiro de 2003 e Dezembro de 2006.
O estudo confirma as conclusões de investigações anteriores segundo as quais as mulheres são minoritárias na população de rua: no período analisado, a procura de mulheres aos serviços da AMI representou 20 por cento dos utentes.
O número mais elevado de mulheres que recorre aos apoios sociais da AMI encontra-se na faixa entre os 21 e os 39 anos, em contraponto com os homens, que têm sobretudo entre 30 e 49 anos.
As mulheres sem-abrigo apresentam percentagens ligeiramente superiores em relação aos homens de integração profissional, sobretudo tarefas pontuais de limpeza, que estão contudo fora do mercado de trabalho legal, sem fazer quaisquer descontos para a Segurança Social.
Quase 40 por cento das mulheres sem-abrigo nunca fizeram descontos para a Segurança Social, enquanto que nos homens a percentagem é de 25 por cento.
Os homens dedicam-se, contudo, mais à mendicidade que as mulheres: 58 por cento dos homens contra 36 por cento das mulheres.
De acordo com o estudo, as mulheres procuram mais o apoio de amigos e de familiares e nos locais de pernoita, destaca-se que a maior percentagem de mulheres (25 por cento) encontra-se no item "outros", ou seja vivem pontual e precariamente e sem segurança num local não pré-definido na entrevista.
Casas de amigos, salas de espera de hospitais, casas de alterne, casas de avós onde vivem os filhos, são exemplos destes locais.
São em maior número os homens que dormem na rua (33 por cento) do que as mulheres (20 por cento), valores semelhantes ao número de mulheres e homens que pernoitam em albergues.
Outro traço distintivo entre homens e mulheres é a solidão e o estado civil.
Entre as mulheres, 29 por cento são casadas ou vivem em união de facto, contrastando com oito por cento dos homens.
Ao nível das relações, uma significativa maioria dos homens (84 por cento) afirma-se só, uma condição descrita por 40 por cento das mulheres.
A primeira edição do prémio Madelena Barbosa premiou ex-aequo o Núcleo de Investigação Faces de Eva da Universidade Nova de Lisboa e a União de Mulheres Alternativa Resposta (UMAR), pelo projecto "Memórias e Feminismos: Mulheres e República na cidade de Lisboa", para a publicação de um roteiro e uma agenda feministas.
O júri do prémio foi presidido por Maria Antónia Palla, em representação da Câmara de Lisboa, e por Elza Pais, em representação da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, e integrou a investigadora Manuela Tavares, a escritora Maria Teresa Horta e a jornalista Sofia Branco.
jn
Portugueses rendidos ao fenómeno do póquer
Há cada vez mais jogadores de póquer em Portugal. Conquistados pela moda de um jogo de estratégia ou seduzidos pelo dinheiro que é possível ameallhar, muitos até já pensam nas cartas como um modo de ganhar a vida.O fenómeno, importado dos Estados Unidos, tem uma imensa legião de seguidores em todo o Mundo, Portugal incluído. Terá começado há seis anos, quando o norte-americano Chris Moneymaker venceu um torneio de póquer online, no qual tinha apostado 39 dólares. Repescado para participar no Campeonato do Mundo, em Las Vegas, o desconhecido Chris fez jus ao apelido: ganhou 2,5 milhões de dólares e sagrou-se campeão.
A fervorosa máquina de "marketing" do Tio Sam fez o resto. Chris Moneymaker ganhou estatuto de estrela e passou a personificar uma espécie de "novo sonho americano". Seguiram-se as transmissões televisivas de jogos de póquer, primeiro, e os canais temáticos, depois. O póquer popularizou-se.
Por cá, os ecos do fenómeno chegaram um ano depois. Em 2004, João Nunes começou a jogar, iniciado pelos companheiros norte-americanos da equipa do Aveiro Basket. Quando saiu da equipa, e na falta de interlocutores para comparar jogadas e estratégias, resolveu dinamizar uma comunidade de jogadores de póquer na Internet. Nasceu a www.pokerpt.com, nessa altura com cerca de 200 membros. "Em Novembro do ano passado, tínhamos 10 mil membros. Na semana passada, já eram 20 mil", explicou João Nunes.
Serão mais, muitos mais, rendidos a um jogo que é "divertido, interessante e competitivo", diz João Nunes. De uma forma simples, explica os encantos do póquer: "Num torneio, define-se qual o valor pago por cada jogador. Todos pagam o mesmo e todos recebem o mesmo número de fichas, sem valor monetário", começa por explicar. "O objectivo é tirar as fichas aos outros jogadores. Quando perde a totalidade das fichas, o jogador é eliminado", concluiu João Nunes. " Trata-se de sobreviver, eliminando os outros roubando-lhes as fichas", sintetiza. Por cá, quem joga fá-lo como "entretenimento, mais do que como um modo de vida", acredita.
Marco Reis fica a meio do caminho entre as duas motivações: encara a participação em torneios, online e ao vivo, como "um part time". Marco "The Asics" Reis, de 29 anos, arrecadou, no último fim-de-semana, 21 mil euros ao ganhar o torneio "Betfair Portuguese Poker Tour Figueira da Foz". Uma prenda de casamento dos amigos, que pagaram os 550 euros de inscrição no torneio.
Joga há dois anos e meio, mas com os "pés bem assentes no chão", garante. O que ganha com o póquer, uma média mensal de 500 euros, dá-lhe para outros luxos que o salário do emprego numa empresa de telecomunicações não permitem. "É inegável que tem ajudado, mas daí a contar com esse dinheiro regularmente... O póquer não poderia ser nunca algo de garantido", considera.
Os ganhos dos jogadores portugueses, ampliados pelos programas televisivos e pela Internet, animam alguns espíritos a mudar de vida pelo póquer que, no caso, não é só um jogo sorte e azar. "Tem uma forte componente de cálculo de probabilidades, de matemática, de leitura e interpretação do adversário", explica Marco Reis.
Roberto Machado não gosta do rótulo de "profissional de póquer", mas assume-o, ou não se dedicasse exclusivamente àquela modalidade. Aos 31 anos, o ex-programador informático começou como quase toda a gente, iniciado por um amigo que lhe ensinou o básico. Gostou da componente de perícia e de estratégia do jogo e aos poucos foi começando a estudar. Os resultados alcançados fizeram o resto e de hobi o póquer passou a profissão.
O útil e o agradável juntaram-se numa "mão" que determinou a sorte da vida de Roberto. "Foi uma mudança muito ponderada", contou, ou não ficasse para trás um emprego seguro. "Estive semanas a pensar". Decidiu-se. Roberto Machado não pensa fazer do póquer trabalho o "resto da vida", mas perspectiva "largos anos" na actividade que dá para ter "uma vida normal, com ganhos um pouco acima da média".
De partida para Las Vegas, onde participará, no início de Julho, no Campeonato do Mundo, desconstrói a tentação dos muitos que acham que podem viver do dinheiro que ganham nas mesas de póquer. "Uma boa parte das pessoas pensa, em alguma altura, que esta é uma boa forma de ganhar dinheiro facilmente", explica. "E pensar assim é a primeira abordagem para não se ser um ganhador", adverte.
Talvez seja a ideia de dinheiro fácil que move um cada vez maior número de portugueses que joga em torneios, online e ao vivo, nos casinos e nas mesas de póquer sustentadas pelo recente entusiasmo mundial. "O póquer veio trazer mais pessoas aos casinos", explicou Artur Magalhães Mateus, da Associação Portuguesa de Casinos. "Nos torneios realizados regularmente, parte significativa das várias centenas de participantes é constituída por novos jogadores".
jn
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Rapaz de 14 anos sobrevive a impacto de meteorito
Um jovem alemão de 14 anos foi atingido por um minúsculo meteorito que caiu na Terra a mais de 40 mil quilómetros por hora. Apesar de ferido numa mão, Gerrit Blank declara-se orgulhoso por ter sobrevivido a este raro encontro.Segundo o observatório astronómico Walter Hohmann, da Alemanha, o objecto do tamanho de uma ervilha despenhou-se na cidade de Essen. Testes químicos confirmam que se trata de um meteorito.
A pequenina rocha caiu a uma velocidade estimada em cerca de 40 mil quilómetros por hora e por pouco não atingiu mortalmente um rapaz de 14 anos que caminhava para a escola.
Gerrit Blank foi atingido na mão, que teve que ser alvo de cirurgia, mas é com entusiasmo que relatou o acontecimento à imprensa internacional.
«Primeiro vi um grande bola de luz, depois senti uma dor na mão. Depois, nem um segundo depois, ouvi um grande estrondo, como se fosse um trovão», contou.
«O barulho foi tão forte que fiquei com os ouvidos a assobiar durante horas. O impacto quase que me fez voar, e ficou um buraco no chão», disse Gerrit, que se declara um grande fã de ciência.
Há apenas um outro caso conhecido de uma pessoa que tenha sido atingida por um meteorito. Ocorreu no estado norte-americano do Alabama, em Novembro de 1954, quando uma mulher que dormia em casa foi atingida por uma pedra do tamanho de uma uva. A vítima sobreviveu ao incidente.
Em 1994, um casal de Madrid viu um meteorito perfurar o seu carro, mas ninguém foi directamente atingido.
SOL
A pequenina rocha caiu a uma velocidade estimada em cerca de 40 mil quilómetros por hora e por pouco não atingiu mortalmente um rapaz de 14 anos que caminhava para a escola.
Gerrit Blank foi atingido na mão, que teve que ser alvo de cirurgia, mas é com entusiasmo que relatou o acontecimento à imprensa internacional.
«Primeiro vi um grande bola de luz, depois senti uma dor na mão. Depois, nem um segundo depois, ouvi um grande estrondo, como se fosse um trovão», contou.
«O barulho foi tão forte que fiquei com os ouvidos a assobiar durante horas. O impacto quase que me fez voar, e ficou um buraco no chão», disse Gerrit, que se declara um grande fã de ciência.
Há apenas um outro caso conhecido de uma pessoa que tenha sido atingida por um meteorito. Ocorreu no estado norte-americano do Alabama, em Novembro de 1954, quando uma mulher que dormia em casa foi atingida por uma pedra do tamanho de uma uva. A vítima sobreviveu ao incidente.
Em 1994, um casal de Madrid viu um meteorito perfurar o seu carro, mas ninguém foi directamente atingido.
SOL
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Santa Comba Dão - Tribunal de Contas aprova saneamento financeiro da Câmara Municipal
A Câmara Municipal de Santa Comba Dão tem, a partir de agora, um instrumento financeiro que lhe permite saldar toda a divida de curto prazo e libertar-se do “garrote” financeiro que mensalmente “afogava” a tesouraria.O Plano de Saneamento Financeiro aprovado foi o quinto a merecer o Visto do Tribunal de Contas, desde a entrada em vigor da nova Lei das Finanças Locais. Estes Planos destinados a municípios que enfrentam dificuldades financeiras e se encontram em desequilíbrio financeiro conjuntural, têm como objectivo consolidar dívidas de curto prazo através de empréstimos que têm um prazo de amortização de 12 anos. Nesse período, os municípios estão obrigados a cumprir regras rígidas de estabilidade orçamental e a reduzir as despesas correntes até alcançarem o equilíbrio financeiro. O controlo das contas é feito trimestralmente e a Assembleia Municipal é informada do cumprimento do Plano que também aprovou.O Plano de Saneamento apresentado pela Câmara Municipal de Santa Comba Dão, resulta num empréstimo bancário no valor de 6,5 milhões de euros, dos quais 5 milhões se destinam ao pagamento das dividas a fornecedores e 1,5 milhões para fazer face a investimentos em curso e/ou futuros.Além da redução das despesas com pessoal, a Câmara Municipal comprometeu-se a reduzir as outras despesas correntes, nomeadamente custos energéticos, comunicações, serviços especializados, etc., num esforço de diminuir os desperdícios e optimizar os recursos existentes.De salientar que em cerca de 20 processos de saneamento financeiro apresentados ao Tribunal de Contas foram reprovados 15, um dos quais da Câmara Municipal de Lisboa.
dao tv
Sistema de Orquestras da Venezuela chegou a Portugal para ajudar bairros degradados
Através da música erudita é possível mostrar um caminho diferente a quem cresce em ambientes onde impera a marginalidade e a estrutura familiar é muito frágil.O conceito chegou a Portugal em 2007, mas na Venezuela já deu provas ao longo de três décadas. O Sistema de Orquestras Infantis e Juvenis da Venezuela teve efeitos surpreendentes e, garantem os responsáveis, a criminalidade violenta nas favelas diminuiu.O ensino da música chega assim aos mais novos através de um método único que se afasta das tradicionais aulas. Com o ‘Sistema’, como ficou conhecido na Venezuela, «os alunos, na posse dos instrumentos, vão imitando aquilo que o professor faz através da execução de melodias muito simples baseadas em canções populares», como explica ao SOL António Wagner Diniz, presidente da Escola de Música do Conservatório Nacional e um dos responsáveis pelo projecto.
Por cá, o sistema venezuelano arrancou no passado ano lectivo com o projecto Orquestra Geração e começou por trabalhar com jovens em bairros da Amadora e de Vialonga. Os alunos vão pisando já alguns palcos em concerto.Dois instrumentistas da Orquestra Sinfónica Portuguesa e da Orquestra Gulbenkian, também eles formados pelo sistema venezuelano, supervisionam o projecto nos bairros, assistidos por uma antropóloga que faz o acompanhamento social.O objectivo é «integrar as crianças ou jovens na sociedade, aumentando-lhes a auto-estima e o respeito pelo outro, de forma a atingir-se um desenvolvimento harmonioso da sua personalidade e combater o absentismo escolar ou a saída para a marginalidade» adianta António Wagner Diniz.Neste momento existem três orquestras – bairros da Boba e Mira, na Amadora, e Escola de Vialonga, em Vila Franca de Xira – que abrangem 183 crianças. «Vamos envolvendo as famílias, que vão ajudando os filhos na deslocação e envolvem-se na programação», descreve o director.A ‘importação’ do sistema venezuelano nasceu de uma parceria entre a Câmara Municipal da Amadora e o Conservatório Nacional, numa altura em que o financiamento estava a cargo da autarquia, da Fundação Gulbenkian e do programa EQUAL. Mais tarde, juntaram-se parceiros privados, como a fundação EDP. Em Vialonga, os apoios são garantidos pelo Ministério da Educação e na Amadora é o grupo Chamartin-Dolce Vita que cumpre esse papel.Perante o êxito da iniciativa, e tendo a Venezuela como exemplo, os responsáveis pelo projecto sonham constituir dentro de cinco anos uma grande Orquestra Geração da área metropolitana de Lisboa, envolvendo o maior número possível de municípios.Na Venezuela, o Sistema Nacional de Orquestras integra já 250 mil crianças em mais de 100 orquestras. Ao longo de 33 anos já formou mais de 400 mil jovens. Muitos fazem hoje da música profissão.
andreia.coelho@sol.pt
Festival Internacional de Música de Évora
O músico basco Kepa Junkera, a portuguesa Sara Tavares e Rabih Abou Khalil & Ricardo Ribeiro são os principais destaques do Tocar de Ouvido - Festival Internacional de Música de Évora, que começa hoje na cidade alentejana.O coordenador do festival, Miguel Gomes da Costa, explicou à Lusa que a iniciativa pretende «transmitir conhecimento e práticas musicais relacionadas com instrumentos de música tradicional de uma geração para outra».
Inserido nas festas populares de Évora, o evento, que decorre até sábado, é organizado pela Associação PédeXumbo, em parceria com a Associação Gaita-de-Foles e a d’Orfeu Associação Cultura, contando o apoio da Câmara de Évora.
Lusa / SOL
Teu Olhar

O brilho da lua prateada
inspira-me a luz do teu olhar
Olhos de amor e paixão
que me estremece ao fitar
Vou além do infinito
de prazer a te desejar
A noite é minha alma
as estrelas a sedução
Tuas palavras a eternidade
Teu sorriso, a perfeição
Meu coração agita
de angustia a pensar
que ao fim da escuridão
da névoa que nos cobre
Dos desejos e de paixão
O medo de esquecer
da cor do teu olhar
Mas sei que lembrarei
do azul das ondas do mar
que no intrépido amanhecer
e em plena agonia
O medo de não te ver
Autor: césar
Luiz Pinto
Não deite a tampinha fora. A Joana recolhe.
Joana Pontes começou a recolher tampas há três anos, como uma forma de passar o tempo nas férias, quando os amigos arranjavam emprego e ela entrava em depressão.Depois de conseguir convencer escolas, restaurantes e juntas de freguesia a recolherem as tampas para oferecer material ortopédico a quem mais precisa, a jovem já conta com 11 toneladas de lixo recolhidas.
«É lixo para nós, não precisamos disto para nada. E se podemos fazer o bem a alguém, por que não?»,
Plataforma do Choupal lança desafio electrónico à população
Demonstrar que a Ponte-Açude não está saturada e que, por isso, não se justifica a construção de uma nova travessia rodoviária do Mondego é o objectivo de um desafio electrónico à população de Coimbra lançado hoje pela Plataforma do Choupal.“A Ponte-Açude não atingiu, nem de perto nem de longe, a sua capacidade”, diz a plataforma. Mas "como não temos possibilidade de encomendar um estudo credível, optámos por uma iniciativa artesanal que consiste em pedir às pessoas que acedam à nossa página da Internet e vejam a fluidez de trânsito nas três faixas de rodagem da ponte", explicou Luís Sousa, do movimento. “Veja a Ponte-Açudeon line, sobretudo nas horas de ponta, e constate que ele nunca entope”, escrevem no site da iniciativa."Se alguém conseguir encontrar uma situação de engarrafamento que faça uma impressão e nós damos-lhe um brinde", ironizou. Com esta iniciativa, designada de Desafio Electrónico à População!, a Plataforma do Choupal prossegue a luta para impedir que aquela Mata Nacional seja "irremediavelmente afectada pela construção de um viaduto rodoviário com 40 metros de largura e que a atravessa numa extensão de 150 metros, no âmbito do novo IC2". Segundo Luís Sousa, os argumentos de que "a ponte está saturada" soam a "absurdo". Numa conferência realizada esta manhã, os responsáveis da Plataforma do Choupal anunciaram que a Assembleia da República agendou para discussão em plenário a petição do movimento que propõe a revogação da Declaração de Impacte Ambiental da obra e a suspensão do concurso público. Admitida a 20 de Março, a petição conta com 10.040 signatários que exigem ainda a discussão de alternativas ao actual projecto. Sem ainda conhecer a data de discussão em plenário, Luís Sousa espera "que a petição seja ainda debatida nesta legislatura", referindo ter informações de que o presidente da Assembleia da República deu indicações para que "fossem agendadas todas as petições e não fosse deixada nenhuma para a próxima legislatura". O movimento Plataforma do Choupal anunciou ainda mais uma iniciativa desportiva para a mata, entre os dias 26 e 28 de Junho, no âmbito do processo de contestação iniciado em Fevereiro deste ano. "Trata-se de uma espécie de corrida desportiva sem regras, em que todos os participantes podem praticar a actividade que quiserem durante o tempo que entenderem", explicou o biólogo Miguel Dias, que integra o movimento. A iniciativa começa no dia 26 às 18 horas e, durante 48 horas, os participantes podem "correr, andar de bicicleta ou caminhar". De acordo com Miguel Dias, são esperadas individualidades ligadas ao desporto, às artes, às ciências e à cultura, tendo o primeiro-ministro José Sócrates sido "convidado a participar". "Se vier será recebido de forma ordeira. Era um sinal de que o Governo tinha abandonado o projecto", sublinhou o biólogo, referindo que os desportistas "tem dificuldade em entender como é que um primeiro-ministro que pratica desporto se arrogue no direito de construir um viaduto que interfere com essa prática". Para inviabilizar a construção do viaduto, encontra-se a decorrer uma acção popular subscrita por sete cidadãos contra o Ministério do Ambiente por alegadas irregularidades processuais na Declaração Ambiental, cujo prazo de contestação termina esta sexta-feira.
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