domingo, 21 de junho de 2009

Portugueses rendidos ao fenómeno do póquer

Há cada vez mais jogadores de póquer em Portugal. Conquistados pela moda de um jogo de estratégia ou seduzidos pelo dinheiro que é possível ameallhar, muitos até já pensam nas cartas como um modo de ganhar a vida.
O fenómeno, importado dos Estados Unidos, tem uma imensa legião de seguidores em todo o Mundo, Portugal incluído. Terá começado há seis anos, quando o norte-americano Chris Moneymaker venceu um torneio de póquer online, no qual tinha apostado 39 dólares. Repescado para participar no Campeonato do Mundo, em Las Vegas, o desconhecido Chris fez jus ao apelido: ganhou 2,5 milhões de dólares e sagrou-se campeão.
A fervorosa máquina de "marketing" do Tio Sam fez o resto. Chris Moneymaker ganhou estatuto de estrela e passou a personificar uma espécie de "novo sonho americano". Seguiram-se as transmissões televisivas de jogos de póquer, primeiro, e os canais temáticos, depois. O póquer popularizou-se.
Por cá, os ecos do fenómeno chegaram um ano depois. Em 2004, João Nunes começou a jogar, iniciado pelos companheiros norte-americanos da equipa do Aveiro Basket. Quando saiu da equipa, e na falta de interlocutores para comparar jogadas e estratégias, resolveu dinamizar uma comunidade de jogadores de póquer na Internet. Nasceu a www.pokerpt.com, nessa altura com cerca de 200 membros. "Em Novembro do ano passado, tínhamos 10 mil membros. Na semana passada, já eram 20 mil", explicou João Nunes.
Serão mais, muitos mais, rendidos a um jogo que é "divertido, interessante e competitivo", diz João Nunes. De uma forma simples, explica os encantos do póquer: "Num torneio, define-se qual o valor pago por cada jogador. Todos pagam o mesmo e todos recebem o mesmo número de fichas, sem valor monetário", começa por explicar. "O objectivo é tirar as fichas aos outros jogadores. Quando perde a totalidade das fichas, o jogador é eliminado", concluiu João Nunes. " Trata-se de sobreviver, eliminando os outros roubando-lhes as fichas", sintetiza. Por cá, quem joga fá-lo como "entretenimento, mais do que como um modo de vida", acredita.
Marco Reis fica a meio do caminho entre as duas motivações: encara a participação em torneios, online e ao vivo, como "um part time". Marco "The Asics" Reis, de 29 anos, arrecadou, no último fim-de-semana, 21 mil euros ao ganhar o torneio "Betfair Portuguese Poker Tour Figueira da Foz". Uma prenda de casamento dos amigos, que pagaram os 550 euros de inscrição no torneio.
Joga há dois anos e meio, mas com os "pés bem assentes no chão", garante. O que ganha com o póquer, uma média mensal de 500 euros, dá-lhe para outros luxos que o salário do emprego numa empresa de telecomunicações não permitem. "É inegável que tem ajudado, mas daí a contar com esse dinheiro regularmente... O póquer não poderia ser nunca algo de garantido", considera.
Os ganhos dos jogadores portugueses, ampliados pelos programas televisivos e pela Internet, animam alguns espíritos a mudar de vida pelo póquer que, no caso, não é só um jogo sorte e azar. "Tem uma forte componente de cálculo de probabilidades, de matemática, de leitura e interpretação do adversário", explica Marco Reis.
Roberto Machado não gosta do rótulo de "profissional de póquer", mas assume-o, ou não se dedicasse exclusivamente àquela modalidade. Aos 31 anos, o ex-programador informático começou como quase toda a gente, iniciado por um amigo que lhe ensinou o básico. Gostou da componente de perícia e de estratégia do jogo e aos poucos foi começando a estudar. Os resultados alcançados fizeram o resto e de hobi o póquer passou a profissão.
O útil e o agradável juntaram-se numa "mão" que determinou a sorte da vida de Roberto. "Foi uma mudança muito ponderada", contou, ou não ficasse para trás um emprego seguro. "Estive semanas a pensar". Decidiu-se. Roberto Machado não pensa fazer do póquer trabalho o "resto da vida", mas perspectiva "largos anos" na actividade que dá para ter "uma vida normal, com ganhos um pouco acima da média".
De partida para Las Vegas, onde participará, no início de Julho, no Campeonato do Mundo, desconstrói a tentação dos muitos que acham que podem viver do dinheiro que ganham nas mesas de póquer. "Uma boa parte das pessoas pensa, em alguma altura, que esta é uma boa forma de ganhar dinheiro facilmente", explica. "E pensar assim é a primeira abordagem para não se ser um ganhador", adverte.
Talvez seja a ideia de dinheiro fácil que move um cada vez maior número de portugueses que joga em torneios, online e ao vivo, nos casinos e nas mesas de póquer sustentadas pelo recente entusiasmo mundial. "O póquer veio trazer mais pessoas aos casinos", explicou Artur Magalhães Mateus, da Associação Portuguesa de Casinos. "Nos torneios realizados regularmente, parte significativa das várias centenas de participantes é constituída por novos jogadores".
jn
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