quinta-feira, 21 de maio de 2009

Incidência de melanoma duplicou em dez anos

Nos últimos 10 anos, a incidência do melanoma -o pior tipo de cancro da pele - passou de 4/5 para 9/10 casos por 100 mil habitantes em Portugal. Todos os anos surgem 10 mil novos casos de cancro, mil são melanomas.
Os dados foram ontem revelados pela Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC), durante a apresentação da campanha de prevenção e rastreio que terá lugar na próxima 4ª feira, em 24 serviços de dermatologia de todo o país. A lista dos serviços aderentes pode ser consultada no site da APCC (www.apcc.online.pt) e inclui, entre outros, os IPO de Coimbra, Porto e Lisboa e os principais hospitais distritais.
No ano passado, participaram no rastreio nacional 1154 pessoas, a maioria mulheres (65%) entre os 40 e os 60 anos. Em 14% dos casos observados foram detectadas lesões suspeitas, 21 delas de melanoma e 38 de carcinoma base celular. Desde 2000, ano em que se começou a realizar esta campanha, já passaram pelos rastreios 11572 portugueses, tendo sido detectadas 618 suspeitas de lesões malignas, 345 lesões pré-malignas e 175 melanomas.
João Abel Amaro, coordenador nacional do Dia de Prevenção do Cancro da pele e da campanha Euromelanoma (em que participam este ano 26 países), explica que "o diagnóstico e o tratamento precoce do melanoma são fundamentais, porque aumentam enormemente as possibilidades de cura. A diferença entre a vida e a morte pode ser uma questão de milímetros", diz. Apesar de representar apenas 8% dos cancros de pele, o melamona maligno é responsável por mais de 90% das mortes. Em média, 15 a 20% dos doentes morrem ao fim de cinco anos após o diagnóstico.
Segundo o médico, é importante que cada pessoa faça periodicamente o seu auto-exame da pele e esteja particularmente atento ao aparecimento de novos sinais ou à alterações de sinais já existentes. O rastreio da próxima semana é especialmente destinado a pessoas de pele clara, com tendência para formar sardas, que têm dificuldade em bronzear e apanham facilmente escaldões ou pessoas que notaram recentemente o aparecimento/alteração de sinais.
Este ano há menos um hospital a participar na iniciativa que, em anos anteriores, já chegou a envolver 32 unidades de saúde. João Abel Amaro explica que as recentes saídas de profissionais do Serviço Nacional de Saúde "deixaram alguns serviços de dermatologia desfalcadíssimos", pelo que houve vários hospitais que preferiram não participar.
O coordenador nacional do Euromelamona apela às pessoas que estejam interessadas em fazer o rastreio para que telefonem para os serviços a fazer uma marcação prévia, visto que, face à escassez de dermatologistas, alguns hospitais estão a pensar limitar o número de pessoas a observar. Além de detectar eventuais lesões, este rastreio permite também identificar pessoas portadoras de factores de risco para posterior vigilância periódica.
Osvaldo Correia, secretário-geral da APCC, alerta para comportamentos de risco que potenciam o aparecimento do cancro da pele: a exposição solar prolongada e a horas impróprias (entre as 12 e as 16 horas), a deficiente utilização do protector solar e o recurso a solários, que são "um factor de risco inquestionável".
jn

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